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Netflix em alta, apesar de ataque pirata

d.r.

O assalto informático do fim de semana à plataforma Netflix, que resultou no vazamento de uma dezena de episódios da série “Orange Is The New Black”, não fez mossa no valor bolsista na empresa, antes pelo contrário

Luís Proença

As ações da Netflix bateram um novo recorde esta segunda-feira de manhã, na abertura do NASDAQ, com um crescimento de três por cento sobre o valor de fecho de sexta-feira passada, apesar do assalto informático do fim de semana que resultou no vazamento de uma dezena de episódios da série “Orange Is The New Black”. O “hacker” (ou “hackers”) que se autointitula “The DarkOverLoad” rompeu as barreiras de segurança eletrónica de um dos fornecedores do gigante do “streaming” e no domingo de manhã pôs a correr mundo dez episódios inéditos da quinta temporada da série, através da internet, deixando a ameaça de o voltar fazer.

Ao jeito da ficção, o ataque e a consequente disponibilização aberta dos conteúdos verificou-se porque a Netflix não terá correspondido ao pagamento de um resgate através do sistema monetário encriptado Bitcoin, que conduziria à prometida retenção dos episódios. O crescimento do valor acionista da Netflix, após o sucedido, dever-se-á ao facto de os investidores entenderem que a companhia não sai estruturalmente afetada pelo vazamento e também por não ter cedido à chantagem. “The DarkOverLoad” ameaça, porém, através do Twitter, que mais séries e programas podem vir a ser vazadas na internet nos próximos dias. Dizem ter episódios inéditos de títulos como “The Catch” da ABC, “Celebrity Apprentice” da NBC, “NCIS Los Angeles” da CBS e “New Girl” da Fox.

D.R.

UMA PORTA PARA A CHINA

O titã norte-americano do “streaming” ganhou músculo. Anunciou a entrada para breve no tão desejado mercado da grande China, depois de ter admitido publicamente, vai para seis meses, que isso não ia acontecer. A porta de entrada surge com a assinatura de um contrato de licenciamento estabelecido com a mais popular plataforma de “streaming” chinesa, a iQIYI – subsidiária do motor de busca Baidu. A iQIYI já veio anunciar que as mais recentes temporadas das séries “Stranger Things” e “Mindhunter” (originais Netflix) vão estar disponíveis para os subscritores pagantes.

Depois de os reguladores em Pequim terem decidido no ano passado que a Netflix não podia operar livremente na China, o contrato com a iQIYI vem abrir uma porta de entrada às produções originais dos distribuidores californianos. Estamos no patamar do licenciamento de direitos de exibição - e não no muito mais remunerado patamar da subscrição direta da plataforma.

A China é, porém, demasiado grande e entusiasmante para os “players” globais para ser deixada de lado. A BBC, a Paramount Pictures e a Lionsgate, por exemplo, estabeleceram igualmente acordos de licenciamento com a iQIYI. Apesar do crescente mercado paralelo da venda de DVDs com séries e filmes pirateados, bem como das torrentes de conteúdos de ficção roubados a que acedem pela internet, 20 milhões de chineses já subscrevem a iQIYI e o número de assinantes não pára de crescer.