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Einstein era Genius: uma série que dá que pensar

"Genius" marca a estreia da National Geographic em projetos de ficção. A primeira temporada desta série, dedicada às mentes mais geniais do mundo, é sobre Einstein

Retratar uma figura genial como Albert Einstein não era tarefa fácil e a missão demorou muito mais do que à partida se consideraria razoável. Mesmo que quase todos julguem saber tudo sobre ele, poucos serão os que realmente conhecem a verdadeira história da sua vida. Agora será possível conhecê-la ao detalhe, na temporada inaugural de "Genius", a nova aposta do National Geographic e a primeira série totalmente ficcional do canal. Mais de 60 anos passados desde a morte de Einstein, é tempo de o devolver à vida, numa produção televisiva baseada na biografia escrita pelo jornalista e escritor norte-americano Walter Isaacson e que conta com assinatura de Ron Howard e Brian Grazer. Muito antesde "Genius", os direitos para a adaptação da história ao ecrã já tinham sido adquiridos por Gigi Pritzker - que viu no livro o potencial de o transformar num filme -, mas a produtora estava equivocada. Era impossível fazer uma longa-metragem com tanto material. Depois chegou a oportunidade de expandir a história e transformá-la numa série e foi aí que a ideia começou a sair do papel. O melhor era avançar tão rápido quanto possível, sem que isso prejudicasse a precisão dos factos narrados na série. À medida que a produção ia avançando, tornouse percetível que não bastaria um protagonista. Seriam necessários dois atores para Einstein e convinha que partilhassem algumas semelhanças. Acabou por não ser bem assim.

Ao inconfundível Geoffrey Rush - que tinha prometido à mulher parar um pouco, mas que acabou por não resistir ao papel - juntouse o mais jovem Johnny Flynn.

Olhar para Geoffrey Rush e ver nele Einstein não parecia muito difícil, mas quem conhece Johnny sabe como é quase impossível encontrar qualquer semelhança. Os traços do músico e ator britânico (conhecido da série "Lovesick", da Netflix) pouco condizem com os de Einstein e a tez clara e o cabelo louro também não ajudavam ao retrato. Se o ator veterano era uma escolha óbvia (e um valor a manter, tanto que obrigou a que as datas das filmagens fossem alteradas), o mesmo não acontecia com o ator mais novo. Tudo mudou depois de verem o vídeo que Johnny enviou para o casting de "Genius". Era o ideal.

A escolha exigiu um grande trabalho de caracterização, mas a equipa - responsável por transformar os atores em 'Einsteins' de épocas diferentes - achou que seria capaz de dar a volta à questão.

Afinal, a estrutura óssea da face dos dois atores até era semelhante e essa era já uma grande ajuda. Agora era necessário fazer magia e conseguir rejuvenescer e envelhecer ambos, de modo a que as transições em cena fossem o mais natural possíveis. "Se eu olhar para fotografias minhas aos 18 ou aos 25 anos, quase não me reconheço", diz Geoffrey Rush ao Expresso, "pelo que não vejo qualquer problema nisso".

O ator, já galardoado com um Óscar e nomeado para outros três, vai mais longe e deixa mesmo a garantia de que "na série as pessoas vão acreditar que é a mesma pessoa em vários momentos da sua vida". Apesar das possibilidade da caracterização - para as filmagens, foram colocadas próteses em vários pontos do rosto e do corpo -, o trabalho não terminou aí.

Foi preciso que os dois atores percebessem (e que acima de tudo aprendessem) algumas das expressões corporais de Einstein.

As conversas por Skype (foi através da plataforma que falaram pela primeira vez) nunca seriam suficientes e foram necessários muitos ensaios para que tudo estivesse no ponto.

Depois, e ao contrário do que seria mais óbvio numa série biográfica, os argumentistas optaram por fazer saltos temporais ao longo dos episódios. E essa é uma grande ajuda para a trama. "O primeiro episódio começa comigo a dar uma aula, em que encorajo os alunos a sonhar e a experimentar", conta Geoffrey Rush, "e depois há um corte e assistimos ao Johnny no papel de Einstein enquanto estudante, mas a ser chamado à atenção por estar a sonhar durante a aula". Para o ator, isso é muito mais interessante do que "começar no início da vida de alguém e seguir tudo direitinho até ao final". Para Rush, está em causa aquilo a que chama de "desmistificação do emoji de Einstein" e esse é, para si, um dos pontos fortes da série.

Desengane-se quem pensar que "Genius" é a versão televisiva de "Albert Einstein de língua de fora".

A ideia é mesmo mostrar o outro lado.