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Dicas para um bom verão vínico

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Os dias quentes obrigam-nos a alguns cuidados com a escolha e com o serviço dos vinhos. Nem sempre temos os cuidados necessários e por isso aqui deixamos algumas ideias, sobre o que deverá ser feito (sim) e os erros que poderão ser evitados (não).

Já não falta muito para se começar a pensar no verão. Os dias quentes já se fizeram anunciar e já cheira a churrasco em alguns terraços e pátios por esse país fora. Quer nas férias fora quer nos convívios em casa, é sempre útil relembrar algumas sugestões que podem melhorar o consumo do vinho. Desde tempos imemoriais que o vinho nos acompanha na refeição e por isso temo-lo por companheiro indispensável. Mas não de qualquer maneira nem a qualquer preço. Por isso aqui ficam as sugestões para este verão. Naturalmente que inúmeras outras possibilidades haveria, nomeadamente em termos de preço dos vinhos. Optámos por um patamar bem acessível, permitindo assim que ninguém se sinta excluído em virtude do preço exagerado dos vinhos sugeridos.

Assumimos sempre que o vinho é um elemento de convívio, de partilha e de boa disposição com familiares e amigos. Espera-se que o seja ainda mais se soubermos tirar partido do melhor que a nobre bebida tem para nos oferecer.

Vamos então ao sim e ao não dos vinhos estivais:

Para os aperitivos, servidos ainda antes de se ir para a mesa, o espumante pode ser insuperável. Apesar dessa vocação de entretém, cada vez há mais apreciadores do consumo à mesa, quer com marisco quer com peixes pouco cozinhados. Nestes casos pode sempre recorrer também ao espumante rosé. Sempre da variedade Bruto. As surpresas podem ser muitas (e sempre agradáveis).

Para um consumo mais descontraído e menos alcoólico experimente a sangria de espumante; não selecione os melhores que tiver em casa para esta bebida, mas escolha sempre produtos de boa qualidade. A receita é quase individual (cada um acrescenta sempre mais um ingrediente), mas a junção de algumas frutas alegra sempre a sangria. É por natureza uma bebida para beber fresca, com gelo e tudo.

O espumante sabe melhor se servido em flutes de pé alto com forma de túlipa. Se houver pouca escolha, opte pelas flutes estreitas e altas em vez de taças, já que estas não permitem rodar o vinho e apreciar o aroma. Guarde as taças para servir cocktails de marisco com maionese, por exemplo. Há que não ceder nos princípios...

Há que ousar nos espumantes tintos; sendo um parente pobre dos espumantes portugueses (e mesmo em Champanhe é uma categoria que quase não existe), o espumante tinto pode ligar bem com sardinhas assadas ou, de novo, com carnes na brasa. Algumas empresas da Bairrada e de Távora-Varosa têm bons produtos nesta gama.

O verão é a época de ouro dos vinhos verdes e dos rosados. Dos primeiros, a escolha é imensa, variando muito o estilo conforme a zona de origem, as castas com que foram feitos e os níveis de doçura e gás que apresentam. Há que estar informado para se adequar o vinho a cada momento. Para um mero convívio de esplanada um verde com leve gás e mesmo alguma doçura residual fará muito melhor figura que um verde mais seco e sério. Esses guarde-os para a mesa. Um pouco a mesma coisa se passa com os rosados. Com leve gás e alguma doçura (modelo Mateus rosé, digamos) podem ser vinhos de esplanada mas também de fast food estival, tipo piza ou saladas que misturam frutas e legumes.

O país produz cada vez mais vinho rosé e a qualidade média é cada vez melhor. Ao contrário de outrora, são os secos que dominam no mercado e o gás está quase ausente. O que merece atenção é a graduação, devendo reservar para a esplanada os menos graduados e para a mesa (até para substituir os brancos) os que contêm mais álcool.

Há alguns anos começaram a ser comercializadas garrafas magnum (1,5 litros) de vinho verde, além de brancos que agora também gostam daquele formato. É agora, com a família toda por perto, que as magnum devem saltar da garrafeira. Conte que uma magnum dá bem para 6 a 8 pessoas numa refeição, número que facilmente se ultrapassa no verão.

Apesar dos dias poderem estar quentes e os brancos sejam os preferidos, convém não pôr de lado os tintos, porque alguns pratos podem pedi-los, nomeadamente da culinária alentejana, carnes de porco de churrasco e enchidos na brasa. E mesmo com as sardinhas assadas há quem prefira tintos. Há assim que estar prevenido.

Evite servir os tintos da forma tradicional: esqueça a "temperatura ambiente" com que durante anos demais nos encheram a cabeça. Os tintos têm invariavelmente de ser colocados no frio antes de serem servidos para que dos 20 e muitos graus da temperatura ambiente baixem para uns cordatos 17 graus. E logo que são servidos, bastam alguns minutos para que fiquem à temperatura certa.

Como o verão pede comidas mais leves, mais saladas e menos pratos de longa e complicada cocção, há que guardar os melhores tintos para outras épocas do ano. E essa regra (se assim se pode chamar...) também deverá ser aplicada a alguns brancos mais pesados, com mais madeira ou mais velhos.

O vinho do Porto branco seco é um companheiro e tanto, se servido como Porto tónico - Porto branco, água tónica, gelo e limão - e o Porto branco lágrima - apenas com uma pequena casca de laranja (sem a parte branca) - servido bem fresco. Verá que é uma revelação.

Generosos de verão são sobretudo os Porto tawnies com indicação de idade, os Porto Colheita brancos, sempre servidos frescos no final da refeição. A estes pode acrescentar naturalmente os moscatéis (do Douro e de Setúbal) e os vinhos da Madeira. Alguns destes vinhos podem ser também usados como aperitivo.

O melhor amigo do apreciador de vinhos é, durante o verão, o balde de gelo, com o dito cujo lá dentro. O resto é resolvido com um termómetro (utensílio de preço negligenciável). O balde serve para todos os tipos de vinho; até um decanter com Porto ou outro generoso pode ser colocado dentro do balde de gelo.

Apesar de ser verão e de eventualmente estar em casa alugada que tem pouco equipamento, nada desculpa o uso de maus copos para o bom consumo. Ao preço quase ridículo a que vendem copos aceitáveis nas grandes superfícies, não há desculpa: compre um conjunto de copos que, se não chegarem ao fim do estio (por se partirem rápido) nada de muito grave acontecerá.