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Agentes internacionais à caça do talento português

Patrícia Vasconcelos, diretora de casting e impulsionadora do Passaporte 17.

Tiago Miranda

Durante cinco dias, 30 atores portugueses tiveram a possibilidade de contactar diretores de casting internacionais, num encontro intenso que decorreu em Lisboa

Poderiamos imaginar “Indiana Jones” sem Harrison Ford, “Há Lodo no Cais” sem Marlon Brando, “Tudo o Vento Levou”, sem Vivien Leigh, ou, pensando num exemplo mais recente, “House of Cards”, a primeira série de televisão, em streaming, criada para o Netflix, sem pensar em Kevin Spacey e Robin Wright como o casal Underwood?

As escolhas destes atores para estes filmes nem sempre foram as primeiras e nem sempre foram óbvias. Mas a verdade é que se tornaram indissociáveis dos papéis que protagonizaram. A responsabilidade de um diretor de casting é exatamente esta. Conseguir trazer até ao produtor e ao realizador o ator certo, para o relevar ao público. Seja ou não o ator principal, o segredo do sucesso de um filme parte, sobretudo, desta equação.

“Um diretor de casting é um ser criativo que rapidamente tem de perceber como é que a pessoa que tem em frente de si pode servir um filme, uma série ou uma publicidade. E o mais excitante desta profissão é quando, de repente, vemos alguém que rompe e que quando começa a interpretar nos deixa hipnotizados”, explica-nos Julie Schubert, norte-americana consagrada no métier, que esteve em Portugal para participar em Passaporte 17. Uma iniciativa que reuniu 18 profissionais desta área que estiveram em Lisboa para conhecer a realidade dos atores portugueses.

Julie Schubert trabalha há mais de 15 anos nesta área, vê centenas de atores do mundo inteiro e soma no seu trajeto trunfos como “House of Cards”, “O Diabo Veste Prada” ou “The Depart”, de Martin Scorsese. Pela primeira vez, teve contato com o meio português e conclui: “Uma das coisas que me pareceu mais significativa, e que é comum entre estes atores é, precisamente, trabalharem num mercado tão pequeno. Esta circustância acaba por beneficiá-los pela diversidade de aprendizagens e de papéis que somam nos currículos”.

À esquerda, Julie Schubert, com Patrícia Vasconcelos.

À esquerda, Julie Schubert, com Patrícia Vasconcelos.

Afonso Castella D.R.

Assim, durante cinco dias 30 atores selecionados tiveram um encontro intenso com diretores de casting internacionais para provar o seu talento e a sua capacidade de adaptação a um mercado mais vasto. Entre eles, Ana Brito e Cunha, Ana Padrão, Diogo Infante, Diogo Morgado e Soraia Chaves.

Esta é a segunda edição de Passaporte, um evento organizado pela diretora da ACT-Escola de Atores, Patrícia Vasconcelos, que convidou vários congéneres europeus e da América Latina, com quem se tem cruzado ao longo dos anos nos festivais internacionais, para virem a Lisboa conhecer a realidade portuguesa. A primeira edição do “Passaporte” aconteceu no ano passado e uma das “sementes plantadas já deu fruto. Tivemos muita sorte de o diretor de 'casting' da série ‘Vikings’ estar a precisar de um ator e de o Albano Jerónimo ter as características pretendidas”, lembrou.