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Shy Fishman: “Ver os Voca People é como andar num carrossel”

Em 2013, o grupo de cantores vocais passou por Lisboa. Mas os Voca já andaram pelo mundo inteiro.

Eles são uma orquestra em palco, mas a voz é o seu único instrumento. Os Voca People dão um espetáculo surpreendente de música e dança apenas com as cordas vocais. Em Lisboa de 12 a 16 deste mês, sobem ao palco do Teatro Tivoli em 90 minutos ininterruptos de 'performance'. Falámos com o seu criador, Shy Fishman

“Os Voca People são extraterrestres, vêm do Planeta Voca e não dão entrevistas”, informam-nos. “Alimentam-se de energia musical.” Nas tábuas do palco, eles são oito figurinhas brancas que dançam e cantam, como se tivessem uma orquestra inteira ao seu dispor. Mas se não confiarmos nos ouvidos e abrirmos os olhos, percebemos que a única coisa que os Voca People usam são as suas cordas vocais. “Assistir a um espetáculo dos Voca People é como andar num carrossel”, admite Shai Fishman, criador do grupo, em 2008. Em quase uma década, a digressão desta banda pelo mundo tem sido quase ininterrupta.

Os Voca People são constituídos por 8 criaturas vestidas de branco integral. Quantos são homens e quantos são mulheres?
Há sempre 5 homens e 3 mulheres. As figuras masculinas fazem os sons de duas 'beatboxes', baixo, barítono e tenor, e as figuras femininas são alto, mezzo e soprano. Mas na verdade, todos eles têm de cantar em todos os tons.

Imagino que seja mais difícil encontrar vozes para conseguir fazer o leque de sons pedido num espetáculo dos Voca People do que fazer um casting para um soprano ou barítono vulgar...
Muito mais difícil. Encontrei muita pessoas talentosas em castings, mas conseguir quem faça o que os Voca People fazem não é nada fácil. Eles têm de cantar tudo – jazz, smooth jazz, heavy metal, pop, todo o tipo de instrumentos... Encontrar pessoas que cantem tudo, em todos os estilos, é um em mil. Até na Broadway, em Nova Iorque, fizemos um 'casting' durante um mês e acabámos por ter de “importar” cantores, por não conseguirmos arranjar vozes suficientemente diferentes... Foi assim, aliás, que descobrimos o nosso "scratcher", o português Tiago Grade. Desde 2011 que faz parte da nossa formação em Nova Iorque. E descobri-o no You Tube, estava na China na altura.

O que pode esperar quem vai ver um concerto dos Voca People?
É como uma viagem de carrossel. Imprevisível, cheia de surpresas... São 120 músicas, ao longo de 1 hora e meia sem intervalo. Algumas das músicas têm 2 segundos, outras 10 segundos... Há um 'medley' importante dedicado ao Michael Jackson. A única coisa que se sabe de antemão é que vai ser divertido.

Porque é que escolheram Michael Jackson para prestar tributo?
É energético, e tem muitos 'hits' conhecidos internacionalmente. Quando fazemos um espetáculo de 90 minutos de música, têm de ser canções conhecidas de todos - Justin Bieber, Britney Spears, Lady Gaga, Rihanna. Por um lado, para todos conhecerem; mas por outro, isso torna a tarefa muito difícil, porque são músicas tocadas à exaustão. E para serem memoráveis, ou têm de ser exatamente iguais, ou têm de ser muito bem arranjadas...

Ao longo de uma hora e meia de concerto, os Voca People cantam e dançam sem interrupção

Ao longo de uma hora e meia de concerto, os Voca People cantam e dançam sem interrupção

Durante o espetáculo inteiro, os oito elementos dos Voca People cantam e dançam em palco, sem interrupções. Tem alguma ideia do peso que perdem em cada espetáculo?
(Risos) Posso dizer-lhe que, ao fim de 90 minutos, sem tempo de descanso, vestidos com aqueles fatos, a quantidade expelida de suor é imensa...! Provavelmente, perdem 1 a 2 kg por intérprete.

Como lhe surgiu a ideia de criar uma banda como os Voca People?
Queria fazer um "show a cappella" como nenhum outro. O Lior Kalfon e eu tivemos a ideia de eles se vestirem integralmente de branco, e também de serem extraterrestres. Esta aventura começou em 2008 e há quase 10 anos que andamos em digressão pelo mundo. Hoje já temos 5 equipas de 8 elementos de Voca People. Algumas funcionam melhor com certos públicos, mas tentamos manter as equipas unidas, para preservar um espírito de família.