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Serralves discute Siza no dia dos Museus

Com entrada grátis na próxima terça-feira, Museu preparou programação centrada na exposição “Álvaro Siza Vieira: Visões de Alhambra”

Valdemar Cruz

Serralves lança na próxima terça-feira um desafio difícil de ignorar. No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2017 a entrada será gratuita na Fundação, entre as 10 e as 19 horas.

Para aquele dia, o Museu de Arte Contemporânea preparou uma programação exclusiva, centrada na exposição “Álvaro Siza: Visões de Alhambra”. O objetivo enunciado é refletir sobre a relação entre o património e a intervenção contemporânea.

Para as 18h30 está prevista uma visita orientada à exposição, a cargo do comissário da mostra, António Choupinha. O projeto de intervenção no Alhambra tem estado rodeado de polémica e nada está em definitivo assente sobre a proposta de Álvaro Siza para a construção de um novo acesso ao conjunto monumental da Alhambra.

Existem agora perspetivas de que o projeto possa vir a ser retomado, após ter sido posto de lado com base num parecer de um organismo espanhol ligado à UNESCO, que o considerava “invasivo”.

Paralisado há mais de um ano, o projeto de Siza foi o vencedor, por unanimidade, de um concurso público internacional cujos resultados foram anunciados a 22 de fevereiro de 2011. Participaram no processo de escolha todas as instituições representadas no Patronato da Alhambra e Generalife.

Os problemas começaram a surgir quando uma estrutura espanhola de consultadoria, a Icomos, ligada à Unesco, emitiu um parecer, não vinculativo, segundo o qual o projeto de Siza teria um caráter “invasivo” e um “impacto negativo no valor universal excecional deste monumento Património Mundial”.

O paradoxo de Siza

A Icomos acabou por assumir que o projeto é bom, mas não para aquele local. Álvaro Siza chegou a assinalar o paradoxo, ao afirmar que “se o projeto não serve para o lugar, não pode ser bom. É mau”.

Durante a última campanha eleitoral na Andaluzia chegaram a aparecer panfletos do PP com desenhos a exagerar de um modo desmesurado o impacto do projeto no conjunto monumental. Por tudo isso, e enquanto não houver mais desenvolvimentos, para Siza, “este projeto é coisa do passado, até por uma questão de sanidade”. De resto, segundo revelou há tempos, nunca teve qualquer informação oficial sobre o que se passa com o projeto, “para o bem e para o mal”.

O sujeito do projeto é um átrio, um centro de visitantes e o percurso que se faz nos espaços islâmicos. Isso mesmo pode ser visto na exposição patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, originalmente apresentada no Aedes Architecture Forum de Berlim, por Kristin Feiriss, membro do júri do Prémio Pritzker e uma grande entusiasta desta intervenção de Siza em Alhambra. A mostra esteve já no Vitra Design Museum, em Weil am Reim, na Alemanha; no Palácio Carlos V, em granada; no national Museum of Art, Architecture and Design da Noruega, em Oslo; e no Aga Khan Musuem de Toronto, no Canadá.

Património da Humanidade desde 1984, o conjunto monumental de Alhambra e Generalife é, depois da sagrada Família, em Barcelona, o segundo mais visitado de Espanha, com 2,5 milhões de entradas em 2015.

Ainda na terça-feira, A partir das 19 horas, há um debate, moderado por António Choupinha, subordinado ao tema “Património arquitetónico e intervenção contemporânea”, com a participação de José Aguiar e Ana Paula Amendoeira, da Icomos/Portugal; Roberto Cremascoli e Nuno Grande, co-comissários da representação portuguesa na Bienal de Veneza 2016; Ann Pitt, do Wenworth Institute of Technology, Boston; Nuno Sampaio, Diretor-Executivo do Centro Português de Arquitectura; e Ana Tostões, da Docomomo International.