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Cultura

Quando os punks já são coisa de museu

Christopher Furlong

Góticos, punks, skinheads, ravers ou “emos”, todos têm lugar no “Youth Club Archive”, um projeto que nasceu na internet para preservar a memória das tribos jovens. O objetivo passa por abrir um museu físico dentro de alguns anos em Londres

Qual é o primeiro sinal de que estamos a ficar velhos? Podem ser vários, mas um deles é quando a nossa juventude já começa a ser considerada como algo que deve ser registado e preservado para memória futura. Por outras palavras, que merece estar num museu, seja ele do mundo virtual ou físico. E é mais ou menos isso que acontece com o “Youth Club Archive”.

O projeto nasceu, na realidade, fora da internet, com uma revista que pretendia documentar as subculturas jovens do universo londrino dos anos 90. A revista em papel acabaria por chegar ao fim em 2003, mas a ideia iria transitar para o mundo virtual, com a criação de um arquivo fotográfico online. Os criadores ganhavam dinheiro com a venda de direitos de imagens, mas cedo começaram a pensar que o que estavam a fazer poderia ter relevância social e cultural.

Foi assim que nasceu o “Youth Club Arquive”, que conta neste momento com mais de 70 mil fotografias que documentam as várias subculturas juvenis que se desenvolveram no Reino Unido desde a década de 50 do século passado até 2010.

Estão lá os punks, os góticos, os metaleiros, os skinheads, os fãs das raves dos anos 80, e até mesmo os “emos”, considerados a última grande tribo. O termo “Emo” vem de “emotional hardcore music”. Esta subcultura, embora tenha tido as suas primeiras manifestações já no anos 80 do século passado, popularizou-se na primeira década dos anos 2000. Tem como principais traços característicos as músicas melódicas e expressivas, por vezes de estilo confessional (bandas como os “Jimmy Eat World”, “My Chemical Romance” ou “Blink 182”), enquanto que os seus membros são normalmente reconhecíveis pelos cabelos habitualmente longos, com franjas desalinhadas para o lado, maquilhagem carregada com “eyeliner” preto e baton, e, ocasionalmente, piercings.

O projeto recebeu recentemente uma bolsa do “Heritage Lottery Fund” para catalogar os milhares de imagens na sua colecção, e também promover eventos mensais. Mas o grande objectivo, no futuro, é poder abrir um espaço físico. “O nosso plano é vir a ter um museu em Londres que não reuna apenas fotografias, mas também vários tipos de artigos”, admite Jamie Brett, também ele um antigo “emo”, em declarações à revista internacional de arte “Apollo”.

Mas afinal, se os “emo” foram a última grande subcultura, o que é feito hoje em dia destas tribos? Algumas subsistem nos seus pequenos nichos - como os góticos ou os skins - mas para muitos as grandes tribos ter-se-ão diluído com a dispersão provocada pela internet. “Há alguns elementos de cópia de tendências populares entre os jovens, mas não há aquela estética identificativa de tribo como existia antigamente”, considera Brett. Muitas delas já são mesmo coisa do passado, com entrada direta para o museu.