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“Velocidade Furiosa”: de onde vem essa possível comparação com “Star Wars”?

O oitavo filme da série “Velocidade Furiosa”, que acaba de se estrear, sucede a um episódio que se tornou o sexto título com maiores resultados de sempre nas bilheteiras à escala mundial. Charlize Theron e Helen Mirren, ambas com óscares no currículo, são novos rostos numa saga que aposta numa produção de grande orçamento e não esquece novos modelos e protótipos para quem gosta de carros velozes

Pode hoje em dia quase não haver nas cidades aqueles letreiros vistosos sobre as portas das salas de cinema que deixavam ver, a quem passava na rua, os nomes das estrelas que protagonizavam os filmes. Mas a verdade é que os elencos de peso encontram outros caminhos para chamar atenções. E, ao juntar num mesmo cartaz os nomes das oscarizadas Charlize Theron e Helen Mirren aos rostos de Vin Diesel, Dwayne Johnson (ou seja, The Rock), Michelle Rodriguez ou Kurt Russell (o mítico Snake Plisskin de “Fuga de Nova Iorque” e sua sequela em Los Angeles), o oitavo capítulo da saga “Velocidade Furiosa” entra em cena fazendo-se notar, acrescentando ainda as inevitáveis presenças de modelos de automóveis rápidos.

Há um Lamborghini Gallardo de motor biturbo ou um protótipo Nissan IDx Nismo, mostrando as máquinas, juntamente com os atores e uma produção de grande orçamento, todo um potencial para inscrever um novo episódio de triunfo na bilheteira e vincar mais ainda a presença destes filmes entre os grandes casos de sucesso deste início de século.

Oito filmes, mais duas curtas-metragens e um mundo de sequelas e destinos novos pela frente fazem já de “Velocidade Furiosa” um caso de sucesso com um lugar na história do cinema para grandes plateias. Ainda está longe de alcançar o número de filmes da série James Bond, o que é natural, já que o espião 007 anda pelos ecrãs de cinema desde 1962 e já vai a caminho do 25º filme na contagem oficial (se bem que se juntarmos “Casino Royale”, de 1967, e “Nunca Mais Digas Nunca”, de 1983, a soma acaba por ser ainda maior). Já os 12 títulos da saga slasher “Sexta-Feira 13” não estão assim tão distantes... E os resultados de bilheteira que o anterior “Velocidade Furiosa 7” conseguiu arrecadar (1,4 mil milhões de euros) são impressionantes. Foi menos do que os 1,9 mil milhões de “Star Wars: O Despertar da Força”, que é o mais bem-sucedido dos filmes da saga criada por George Lucas em 1977. Mas a verdade é que a série que tem Vin Diesel como rosto de referência tem hoje em “Star Wars” o mais direto dos seus competidores e modelo de referência.

E de onde vem essa possível comparação com “Star Wars”? Em primeiro lugar, há uma proximidade no número de títulos já estreados. Da saga de ficção científica chegará aos ecrãs este ano o oitavo filme, mas há que juntar à lista “Rogue One” de 2016 e talvez também a animação “Star Wars – A Guerra dos Clones” (2008), que ficam fora da contagem da série central mas são expressão do mesmo universo. Depois há os resultados de bilheteira, que, mesmo com um fosso ainda a separar os melhores resultados de ambas as séries, fizeram já de “Velocidade Furiosa” o sexto melhor resultado global de sempre na história do cinema (“O Despertar da Força” está em terceiro na mesma lista do Box-Office Mojo), tendo ultrapassado os valores obtidos por “Rogue One” (991 milhões de euros). “Velocidade Furiosa 6”, de 2013, alcançara o 64º lugar no ranking dos melhores resultados mundiais de bilheteira, com 741 milhões de euros, superando a soma acumulada do “Star Wars” original (de 1977), de 728 milhões, acentuando o crescimento face a “Velocidade Furiosa 5” (de 2011), que atingira 558 milhões, e a “Velozes e Furiosos” (de 2009), que somara lucros de 341 milhões (e que foram os primeiros títulos a ultrapassar os 194 milhões recolhidos pelo filme que iniciara a série, em 2001). Como curiosidade vale a pena lembrar que “XXX – Missão Radical” (2002), de Rob Cohen, filme que Vin Diesel protagonizou logo depois de vestir pela primeira vez a pele do condutor amante do prego a fundo e ex-presidiário Dominic Toretto, arrecadou 260 milhões de euros, valor que foi suplantado pelos filmes da saga “Velocidade Furiosa” desde que, em 2009, a ela regressou não só como ator mas desde então também como produtor.

Além desta guerra de números, que demonstra um crescimento sustentado e cada vez mais expressivo dos novos episódios de “Velocidade Furiosa”, a mais interessante comparação que se pode fazer com o universo “Star Wars” tem a ver com os modelos de desenvolvimento e crescimento futuro para este mundo de ficção que tem automóveis modificados e atropelos à lei no tutano. É que se por um lado Vin Diesel já confirmou que haverá um nono e um décimo filme da saga central (respetivamente previstos para 2019 e 2021), que assim continuarão a desenvolver uma trama que os ecrãs acompanham desde 2001, por outro Dwayne Johnson referiu que está a ser encarada a possibilidade de serem criados spin-offs. Ou seja, tal como os anthology fims de “Star Wars”, também aqui poderá haver filmes a explorar a mitologia da saga, mas a concentrar as narrativas em histórias que não são exatamente as que definem o tutano do seu historial, mas que se centram antes em personagens do seu universo. O ator que muitos conhecem como o herói do wrestling The Rock falava em concreto da possibilidade de haver um desses filmes com a personagem de Luke Hobbs, que ele mesmo veste desde “Velocidade Furiosa 5”.

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Com título original “The Fate of the Furious”, o novo “Velocidade Furiosa 8” traz como uma nota sombria para os seguidores da série o facto de ser o primeiro desde 2006 a não mostrar em cena o ator Paul Walker (que interpretava a figura de Brian O’Conner), que morreu num acidente num dia de folga durante a rodagem do episódio anterior. Por outro lado, há a assinar agora uma série de estreantes. Charlize Theron é uma das forças maiores do elenco (e da narrativa), apresentando uma vilã com um historial de ciberterrorismo. E com ela chegam à série Helen Mirren (como a mãe de Deckhard e Owen Shaw) e também Scott Eastwood, filho de Clint, aqui a vestir a pele de um agente da lei. Estreante é também neste oitavo filme o realizador F. Gary Gray, o mesmo de “O Negociador” (1998), “Um Homem à Parte” (filme de 2003 no qual trabalhou com Vin Diesel), “Jogos Mais Perigosos” (2005) e, mais recentemente, “Straigh Outta Compton” (2015), este último um mergulho narrativo no universo do hip-hop que ele tão bem conhece, contando ali a história dos NWA.

A música, naturalmente, não foi descuidada, apresentando a banda sonora participações de nomes do atual panorama hip-hop como Lil Uzi Vert, Quavo, Travis Scott, Pitbull ou G-Eazy, juntando colaborações com várias figuras, entre as quais encontramos Kehlani, que este ano lançou o aclamado “SweetSexySavage”.

Agora resta ver como reage o mundo que compra bilhetes de cinema ao novo desafio lançado sobre Dominic Toretto quando, seduzido por uma terrorista, entra em rota de choque contra os seus...