Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

“Prison Break”: Scofield renasce para voltar a fugir

Fox

A série é um dos regressos televisivos do ano e o primeiro episódio estreia-se esta noite (22h15, FOX). Wentworth Miller, que volta a interpretar Michael Scofield, explica tudo sobre a quinta temporada

Prison Break” foi um dos maiores sucessos da FOX norte-americana (onde era vista, em média, por 9 milhões de telespectadores todas as semanas) e ajudou a redefinir o caminho da produção televisiva. A força da sua trama — uma lição de perseverança e camaradagem num ambiente tão hostil como o de uma prisão — prendeu o público ao longo de quatro temporadas, mas isso não impediu o canal de pôr fim à série. A criação de Paul Scheuring saiu da programação, mas conquistou o seu lugar na história recente da televisão e nunca foi esquecida pelos fãs (nem pelo elenco). Agora está de regresso.

Em declarações enviadas ao Expresso, Wentworth Miller explica como é que a série renasceu, num processo que seguiu desde o início e que viu crescer sem qualquer surpresa. “Tudo começou com uma conversa que tive com o Dominic [Purcell] no estúdio de ‘The Flash’, onde falámos sobre a possibilidade de revisitar ‘Prison Break’”, conta, revelando que a ideia não morreu aí. Os atores decidiram deslocar-se à sede do canal para falar sobre o assunto e expor a sua visão. “Fomos bater à porta da FOX e, por coincidência, eles andavam a ter conversas semelhantes.” Quando Miller soube que o criador Paul Scheuring estava confirmado no projeto, não teve dúvidas de que os novos episódios de “Prison Break” iam mesmo avançar.

Sobre a personagem que “ocupa um lugar especial no coração” do ator, Wentworth Miller revela que esta o “continua a desafiar”, uma vez que dar corpo a Michael Scofield não é uma tarefa fácil, “tanto a nível físico como emocional”. Depois de 88 episódios e de um telefilme (que no fundo são dois episódios extra), o engenheiro civil tornado prisioneiro continua a guardar segredos, mas alguns deles serão revelados nesta quinta temporada. Claro que há uma pergunta que se impõe: Michael não estava morto?

Pelos vistos poderá estar vivo — sim, está mesmo — e encarcerado numa prisão do Iémen. O irmão Lincoln Burrows (Dominic Purcell), que estava no Corredor da Morte quando vimos “Prison Break” pela primeira vez, e a mulher/viúva Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies), que o acompanhou até à possível morte, não desistiram dele e vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o libertar. Não são os únicos. Fernando Sucre (Amaury Nolasco), Theodore ‘T-Bag’ Bagwell (Robert Knepper) e Benjamin Miles ‘C-Note’ Franklin (Rockmond Dunbar), três dos fugitivos mais importantes do Estabelecimento Prisional de Fox River, também estão de regresso à série.

Passou mais de uma década desde que Wentworth Miller interpretou Michael Scofield pela primeira vez, e isso mudou também a forma como o ator encarna agora a personagem.

“Ele está mais velho, isso é certo. E claro que isso também influenciou a forma como eu o interpreto, porque eu agora tenho 44 anos, e não 33 ou 34 como quando comecei a preparar-me para o papel”, diz. Para Miller, perceber quem é Michael nos dias de hoje é um dos pontos fulcrais da nova fase da série. “Será que a Sara e o Lincoln o vão reconhecer? Será que ele ainda merece o amor e respeito que sentem por ele? Estas são outras das questões a que tentámos responder.”

Regresso ao trabalho

Com parte da ação filmada em Marrocos — as gravações no país do Magrebe decorreram ao longo de duas semanas, com cinco realizadores a comandarem os trabalhos e a recolherem material para seis episódios diferentes —, a nova temporada foi anunciada há quase dois anos. A FOX revelou em junho de 2015 que a saga dos irmãos de “Prison Break” estaria de regresso ao canal, com a produção da série entregue ao criador e showrunner original, Paul T. Scheuring.

As expectativas quanto à série são elevadas, com Wentworth Miller a dar as garantias quanto ao produto. “Quando nos reunimos para este regresso [da série], decidimos que se não fosse para o fazermos como deve ser, não valeria a pena”, conta em nome da equipa.

No fundo, queriam “criar algo que estivesse ao nível do que estava para trás, algo que agradasse aos fãs da série original”. Numa altura em que as séries e filmes de sucesso estão a regressar, o protagonista de “Prison Break” defende a estratégia. “Permite adicionar novas camadas, piscando o olho a quem está familiarizado com a história original [mas] com algumas surpresas” a agitarem a ação.

Uma das alterações ao modelo da série está no número de episódios encomendados pela FOX, que passam de 22 para nove. Sobre a mudança no formato, Miller acredita que só não foi assim desde o início porque não era algo usual na produção televisiva. “Para mim, o programa funciona muito bem como série limitada e penso que, se este modelo existisse em 2005, teria sido o nosso modelo.” A continuação da série em antena ainda não foi confirmada pelo canal e em causa está também a disponibilidade do elenco para continuar no projeto (ou aceitar alterações na agenda de gravações).

Se “Prison Break” for renovado para uma sexta temporada, o protagonista espera que o formato curto se mantenha. “Eu não sei quantos episódios sou capaz de aguentar, mas de certeza que não consigo fazer 22 por ano.” A verdade é que a carga física é intensa e há outros projetos em marcha. A gravação de cada episódio demora oito a nove dias e basta conhecer o processo de caracterização para entender tudo o que isso implica.

As tatuagens que a personagem usava na série — era nelas que estava um mapa para a fuga da prisão, quando o seu irmão foi implicado numa gigantesca conspiração e Michael assaltou um banco para se juntar a ele em Fox River — voltam a desempenhar um papel importante e o tempo que demoram a fazer acabou por crescer. “Da primeira vez, tatuarem-me demorava duas horas, mas só precisava de as fazer uma vez por episódio. Desta vez, foram 40 minutos todos os dias”, revelou Miller.

Apesar da responsabilidade que tinha sobre si, o ator teve de preparar o regresso ao papel sem ver as temporadas anteriores por dois motivos: em primeiro lugar o tempo escasseava — tinha acabado de gravar a primeira temporada de “Legends of Tomorrow” — e em segundo porque decidiu acreditar que a personagem se mantinha dentro de si. “E estava”, garante. Havia de voltar a senti-lo durante mais de 70 dias no set de filmagens.

A quinta temporada de “Prison Break”, que a produção garante ser possível ver sem conhecer as anteriores (sem que deixe de ser uma continuação da história), tem estreia marcada para esta quarta-feira, pelas 22h15 na FOX. Aos episódios que chegaram durante quatro temporadas à televisão (e que agora estão disponíveis em streaming no Netflix), vão juntar-se outros nove, com uma duração média de 45 minutos.