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Cultura

CM do Porto vai investir meio milhão em cinco projetos culturais

D.R.

Além de criar o Prémio Internacional de Artes Visuais Paulo Cunha e Silva, município vai investir 100 mil euros anuais em arte para coleção municipal

André Manuel Correia

A Câmara do Porto (CMP) não compra qualquer obra de arte há 14 anos. A situação vai mudar, prometeu Rui Moreira esta quarta-feira, que anunciou a intenção de disponibilizar €100 mil anuais para a aquisição de novas obras durante a divulgação da plataforma “Pláka”. Além do Prémio Internacional de artes Visuais Paulo Cunha e Silva, a plataforma engloba ainda um programa de bolsas artísticas e uma exposição.

Pode não ser do conhecimento da maioria do público, mas a CMP possui uma coleção de arte municipal com perto de 1500 obras, constituída por pinturas, desenhos e gravuras. No vasto catálogo apenas 30 criações são contemporâneas. A coleção não é um “projeto vivo”, quem o admite é Rui Moreira, que pretende agora aumentar e revitalizar o acervo.

A coleção artística do município sairá da penumbra do Palacete Pinto Leite e passará a estar visitável no antigo Matadouro Municipal, em Campanhã, e, a partir de 2018, no espaço camarário “Abrigo dos Pequeninos”, uma antiga escola a necessitar de obras de reabilitação para poder receber parte da reserva artística da CMP.

A última obra a ser adquirida para a coleção municipal foi um desenho de António Carneiro, corria o ano de 2003, e desde então o acervo não voltou a ser atualizado. O investimento na compra de arte por parte do município teve lugar, maioritariamente, na década de 1970.

Para reverter este ciclo de estagnação, a Câmara do Porto anunciou o lançamento da plataforma “Pláka”. “Queremos lançar a reativação da coleção de arte municipal”, assegurou Rui Moreira, durante a conferência de imprensa de apresentação. “A coleção de arte não é um projeto vivo e não estabelece uma relação dinâmica com a cidade de hoje, não tendo tido qualquer tipo de renovação ao longo das últimas décadas”, reconhece o autarca.

As sugestões de obras a adquirir anualmente serão efetuadas por um coletivo constituído pela curadora e artista Gabriela Vaz Pinheiro, o colecionador Pedro Alves Ribeiro, o especialista João Magalhães, o curador e coordenador do Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto Luís Nunes e ainda o artista Francisco Laranjo.

Todas as propostas de aquisição serão posteriormente debatidas pelo executivo autárquico e fica estabelecida a impossibilidade de comprar um conjunto de obras a uma mesma galeria caso o valor ascenda os 40 mil euros. O investimento poderá ser feito também em criações não-contemporâneas e 20% do montante fica destinado a essa finalidade.

Na opinião de Rui Moreira, esta aposta na regeneração da coleção municipal vai possibilitar “enriquecer, do ponto de vista patrimonial, a cidade e, por outro lado, contribuir para a preservação da sua memória artística, para a dinamização das galerias e para a promoção dos artistas que nelas se apresentam”.

Outros quatro projetos compõem esta “Pláka” tectónica criativa

Os horizontes da plataforma “Pláka” expandem-se, no entanto, além do investimento e da aposta na promoção da coleção de arte municipal. Neste projeto constam ainda outras quatro iniciativas: Prémio Internacionalde Artes Visuais Paulo Cunha e Silva, o programa de bolsas artísticas intitulado “Criatório”, o coletivo “Pláka” e ainda a exposição “Anuário”.

O prémio com o nome de Paulo Cunha e Silva tem o valor de 50 mil euros e o artista vencedor será anunciado em meados de junho. No “Criatório” promove-se uma rede de bolsas no valor de 15 mil euros, atribuídas a 16 projetos artísticos. A primeira edição arrancou este ano, contou com 317 candidaturas e os resultados serão anunciados esta sexta-feira.

O coletivo “Pláka” destina-se ao pensamento, investigação e reflexão da arte contemporânea produzida no Porto e no mundo. O grupo aberto a artistas, agentes culturais e, pontualmente, também ao público estará dividido em três linhas de investigação com duração anual, com 20 mil euros destinados a cada uma delas. Todos os anos será publicada uma revista com ensaios sobre a prática artística no Porto, com uma perspetiva internacional.

Por fim, “Anuário” é uma exposição anual com a primeira edição agendada para o segundo trimestre de 2018, na Galeria Municipal do Porto. A iniciativa vai analisar o que de melhor acontece na oferta expositiva da cidade e resultará numa seleção dos melhores projetos para compor a mostra.

Durante a conferência de imprensa, o adjunto de Rui Moreira para a Cultura, Guilherme Blanc, frisou que a “Pláka” é uma “plataforma onde agentes, elementos e ideias vão circular e habitar, onde poderá haver estabilidade mas também fricção entre eles, como uma placa tectónica”. O responsável explicou ainda que o nome “surge também como referência a um espaço de pensamento, remetendo simbolicamente para a Pláka ateniense, um lugar de reflexão fundacional”.

No conjunto das cinco iniciativas deste novo projeto cultural autárquico, a Câmara Municipal do Porto irá investir quase meio milhão de euros.