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Design Gráfico mostra como uma pedra não é apenas uma pedra

Trabalho da dupla Stefan Sagmeister/Jessica Walsh

D.R.

Projeto Still Motion apresenta a partir desta quarta-feira em Milão vinte trabalhos originais concebidos por cinco estúdios internacionais produzidos em pedra portuguesa

O desafio lançado por Guta Moura Guedes, responsável pela experimentadesign, assentava numa ideia tão ousada, quando estimulante: explorar, a partir da linguagem do design gráfico, as potencialidades e diversidade da pedra portuguesa, de modo a construir novas abordagens, novas funcionalidades, novas leituras de um material com características muito próprias. O resultado, ao qual responderam cinco estúdios internacionais, pode ver-se a partir de desta quarta-feira na Triennale de Milão.

Participam os designers ingleses Ian Anderson e Jonathan Barnbrook, a dupla baseada em nova Iorque constituída pelo austríaco Stefan Sagmeister e pela norte-americana Jessica Walsh, e os portugueses Pedro Falcão e Jorge Silva.

Com curadoria de Guta Moura Guedes, esta mostra inserida no âmbito do projeto Still Motion traduz a vontade de experimentar e aplicar a pedra numa área, o design gráfico, onde não é comum fazê-lo. O ponto de partida é uma seleção de mármores e calcários portugueses. Os resultados são diversificados e vão desde a aplicação da pedra em painéis de sinalética a uma utilização da matéria “que apela a reminiscências históricas do seu uso como base para uma tipografia específica, ou a alusões mais irónicas e políticas, que tocam o campo da arte”, escreve-se no texto de apresentação.

Trabalho de Jorge Silva

Trabalho de Jorge Silva

D.R.

Para a concretização dos seus projetos, os designers apropriaram-se das técnicas de trabalho da pedra, das mais tecnológicas às mais tradicionais, como a técnica de embutidos em pedra com corte a jato de água de alta precisão, ou da gravação feita com tecnologia laser. Os acabamentos aplicados à superfície de cada obra revelam-se também decisivos, seja “no aspeto da materialidade”, seja pelo modo como constrói texturas, cores, brilhos e reflexos muito diversificados”.

Os mármores selecionados são originários do Alentejo e na sua maioria provenientes do Anticlinal de Estremoz, um dos principais centros mundiais de extração de mármore. Os calcários provêm da região centro. As pedras foram produzidas por diferentes empresas de transformação, todas portuguesas.

A curadora da exposição considera que é, assim, apresentada “uma abordagem pouco convencional de utilização da pedra no intuito de criar, não só novos valores culturais, mas também de poder gerar novas relações entre a utilização, a produção e a criatividade”. Com a introdução do Design gráfico na utilização da pedra, conclui Guta Moura Guedes, é ampliada a visão “do potencial desta matéria, onde os cruzamentos com as outras áreas são inevitáveis. Novos usos, técnicas, novas linguagens e até tecnologias de trabalho são potenciadoras de evolução produtiva e económica, ampliam mercados e públicos e abrem caminhos inesperados”.