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Sons revolucionários e censurados pela BBC aquecem primavera da Casa da Música

Messias Delmar

São quase uma centena de espetáculos desde abril até ao final de junho. Macy Gray, Snarky Puppy, Grigori Sokolov, o guitarrista Al Di Meola ou o compositor e (contra)baixista Stanley Clarke, entre muitos outros, para ver e ouvir na Casa da Música

André Manuel Correia

O ano é britânico na Casa da Música (CdM), no Porto, e a primavera traz sonoridades revolucionárias, causadoras de tumulto em terras de Sua Majestade. A 24 de abril é dada liberdade a temas banidos pela BBC, com um grupo de jovens da Escola de Música Valentim de Carvalho a interpretar um conjunto de músicas ‘pop-rock’ transversais a várias décadas da cultura anglo-saxónica, como “I Want To Break Free”, dos “Queen”, ou “London Calling”, dos “The Clash”.

No dia 29 do próximo mês a sala de espetáculos da Invicta é tomada de forma desconcertante por “Panic”, uma peça do compositor contemporâneo Sir Harrison Birtwistie – que, em 1995, gerou polémica nos concertos ‘The Proms’ –, agora reinterpretada pela Orquestra Sinfónica do Porto.

No dia 21 de abril, pelas 21h, há “Sinfonias Inacabadas” de Schubert e Edward Elgar. A aquecer a programação de abril e junho está também o recital do pianista russo Grigori Sokolov (25 de abril, 21h), marcando um regresso do artista à emblemática sala portuense. Na conferência de imprensa de apresentação do programa para o próximo trimestre, o diretor artístico da CdM, António Jorge Pacheco frisou que “Sokolov escolhe as salas onde toca e não o contrário”, acrescentando que o pianista continua a querer tocar na Casa da Música e a sentir-se muito bem”.

Dois momentos bastante aguardados são os concertos de Macy Gray (muitas vezes comparada a Billie Holiday, diz o responsável artístico da CdM), para apresentar o novo álbum “Stripped” a 5 de abril, pelas 21h30, e do “ensemble” de jazz “Snarky Puppy”, liderado por Michael League, no dia 26 de abril, às 21h.

Em maio as atenções recaem no concerto daquele que é considerado comumente pela crítica especializada como um dos mais virtuosos baixistas de todos os tempos. Falamos de Stanley Clarke, que no dia 3 de maio, pelas 21h, vem apresentar na CdM o seu mais recente trabalho discográfico, “The Stanley Clarke Band: UP”, editado em 2014. Já com o calor de verão à porta, sobe ao palco a 31 de maio o guitarrista norte-americano Al Di Meola, num espetáculo inserido na tournée em que dá a conhecer o último álbum “Elysium”.

A 7 de junho o foco incide sobre a música experimental, eletrónica e avant-garde, com elementos exploratórios de jazz, concebida pela incontornável vocalista e compositora Annette Peacock. Mais afastada dos palcos nos últimos anos, esta será uma oportunidade rara para ver ao vivo uma artista que já colaborou com nomes como Paul Bley, Mick Ronson e até mesmo com o pintor surrealista Salvador Dalí.

Concertos de Páscoa e um folar de música portuguesa

Entre 4 e 12 de abril há também os “Concertos de Páscoa”, com destaque para a apresentação da obra “Stabat Mater Dolorosa”, uma composição de James Dillon e encomendada conjuntamente pela Casa da Música, a BBC e o Festival de Huddersfield. Escrita para 12 cantores e outra dúzia de instrumentistas, a peça de Dillon, estreada no final de 2014, foi descrita pelo “The Guardian” como algo “belo, estranho e comovente”.

A obra explora ambientes sonoros de grande impacto e é apresentada pela primeira vez em Portugal, com interpretação da “Remix Ensemble” e direção musical de Peter Rundel.

No que à música portuguesa diz respeito, o leque é também bastante rico e diversificado, com o concerto a 1 de abril, pelas 22h30, do recente e etéreo projeto a solo de Ana Sofia Ribeiro, intitulado “Lince”, mas também com a atuação de “Os Tais Quais”, grupo onde figuram nomes como João Gil, Vitorino ou Tim e que sobe ao palco no dia 2 do próximo mês.

Os Capitão Fausto, uma banda com os “Dias Contados” mas com sucesso emergente e cada vez mais consolidado no rock nacional, sobe ao palco com “Maneiras Más” a 22 de abril, pelas 22h, na Sala Suggia, para apresentar sucessos como “Amanhã Tou Melhor” ou Morro na Praia”. A 1 de Maio, pelas 21h30, o público é levado a conhecer “Altar” na Casa da Música, o registo discográfico ainda quente dos “The Gift” e do qual foi extraído o single “Love Without Violins”, produzido por Brian Eno.

Estes são apenas alguns dos destaques do próximo trimestre, numa programação constituída por quase 100 concertos.