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Deus quis, Soares também e os Três Tristes Tigres estão de regresso

D.R.

Ana Deus e Alexandre Soares regressam, treze anos depois, com Três Tristes Tigres para um concerto no Rivoli esta quinta-feira, numa noite em que sobem também ao palco Old Jerusalem e Dan Riverman

Corria o ano de 1996 e os Três Tristes Tigres, com a voz de Ana Deus, a guitarra de Alexandre Soares e letras da poetisa Regina Guimarães, davam a conhecer o segundo trabalho discográfico, intitulado “Guia Espiritual”, considerado pela crítica como álbum desse ano e um dos melhores da década. Em 2004, no “Serralves em Festa”, a banda fez a última apresentação, mas Ana e Alexandre continuaram a trilhar um caminho conjunto no panorama musical português. Desde 2011, agarraram o projeto “Osso Vaidoso”, para não mais largar, onde exploram novas paisagens sonoras, em que a palavra é sempre a medula. A dupla regressa agora a tempos e temas dos quais já sentia saudades.

Miguel Guedes fez o convite. Deus quis, Soares também e a música dos Três Tristes Tigres volta a rugir no Rivoli, em mais uma edição do “Porto Best Of”, que se realiza esta quinta-feira, no Teatro Municipal Rivoli, a partir das 21h30. Acompanhados por Quico Serrano nas teclas, Rui Martelo no baixo e João Pedro Coimbra na bateria, vão revisitar, numa noite intimista, canções do álbum “Guia Espiritual” (1996), bem como temas do disco “Comum” (1998).

Em entrevista ao Expresso, na sala de ensaios, Ana e Alexandre confessam que já sentiam saudades de tocar músicas como “Espécie”, “Xmas”, “Ruído Rosa” ou “Noites Brancas”. Regressar a outras, incontornáveis, como “Zap Canal” foi mais complicado, pela estética muito marcada dos anos 1990. “Já ensaiámos para aí umas três versões e sinceramente ainda não sabemos qual vamos tocar”, conta-nos o guitarrista, entre risos.

“Visitar a cabeça do passado não é assim tão estranho quanto isso”, afirma a vocalista, explicando que a parte mais laboriosa foi recuperar alguns dos sons. “Resolvidos os problemas iniciais, já estamos a curtir novamente as músicas”, acrescenta Ana Deus.

Passados todos estes anos, os temas mais estruturados foram ficando arrumados na gaveta e a lógica de composição alterou-se marcadamente com o projeto “Osso Vaidoso”, onde a componente experimental é uma constante e a improvisação é a pauta. Também essa nova identidade será transportada para este espetáculo de revisitação. “Queremos sair das sequências e daquela estrutura pesada e marcada. Agora pretendemos que seja algo mais leve”, frisa a cantora. “Tem um pouco a ver com a forma como nós nos reencontramos nos temas. O importante é sentirmo-nos confortáveis”, complementa Alexandre Soares.

“Era para ser um concerto único, mas estão a começar a contactar-nos para fazermos isto noutros sítios e achamos que faz todo o sentido”, avança o guitarrista.

Old Jerusalem e Dan Riverman juntam-se à festa

A abrir a noite, sobe ao palco do Rivoli, pelas 21h30, o português Dan Riverman, um nome emergente de uma nova geração de músicos. A preparar o seu primeiro trabalho discográfico de longa duração – com edição prevista para antes do verão –, o músico natural de Santo Tirso vai apresentar algumas das novas canções e dar voz aos temas do revelador EP de estreia intitulado “Hers”, no qual se encontram faixas como “Fragile Hands”, “Dark Haired Girl” e “Sea and the Breeze”.

De seguida, e antes da atuação Três Tristes Tigres, somos levados até ao universo musical de “Old Jerusalem”, onde o economista de profissão Francisco Silva nos conduz, à guitarra, pelo seu rico e mais recente trabalho “A rose is a rose is a rose”, do qual foram extraídos os ‘singles' “A Charm” e “One For Dusty Light”.