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Lembrar Cesariny

TRIBUTO. Mário Cesariny vai ser homenageado com concertos, espectáculos, publicações, conversas e exposições

Nos 10 anos da sua morte, um dos mais importantes surrealistas portugueses vai ser homenageado com iniciativas várias. A mostra “Mário Cesariny - De Cor e Salteado”, inaugurada esta terça-feira no CCB, em Lisboa, é um ponto de partida

São obras dos anos 40, cedidas pela Fundação Cupertino de Miranda, detentora de grande parte do espólio de Mário Cesariny, as que a partir desta terça-feira mostram novamente ao visitante quão vanguardista este mestre do surrealismo era. Obras de monta reunidas no 1º Piso do Centro de Congressos do Centro Cultural de Belém, a chamar a atenção para um trabalho artístico de relevo que teve o seu auge em cada momento da vida do homem que mais influenciou toda uma geração de poetas apostados a conviver de perto com nomes tão grandes como Breton e Artaud.

A exposição “Mário Cesariny - De Cor e Salteado” é, no entanto, apenas um ponto de partida para um ano cheio de concertos, conferências, espectáculos, evocações e edições que constituem o grande tributo ao artista nascido a nove de agosto de 1923 e falecido a 26 de novembro de 2006.

De entre essa programação farta, destaque para o Dia Mundial da Poesia celebrado no CCB a 25 de março sob a égide de Cesariny. Vídeo, instalação, leitura de poemas pelos alunos da Casa Pia ao mesmo tempo que são executadas obras de Ravel, Händel e Bach (não esquecer que Mário Cesariny foi casapiano), maratona de leitura com diferentes personalidades, conversas com amigos do poeta e artista como José Manuel dos Santos (de quem partiu a ideia para esta homenagem), Ilda David, Manuel Rosa e Elísio Summavielle, documentário sobre o autor por Miguel Gonçalves Mendes e concerto pela Orquestra Sinfónica Juvenil marcam esse sábado dedicado à poesia.

Mas há mais. A 27 de março inaugura no Chiado, Livraria Sistema Solar, a mostra de manuscritos e provas editoriais dos livros publicados pelo surrealista na editora Assírio & Alvim desde 1980 até ao ano da sua morte. Em maio será publicada uma nova edição de “Primavera Autónoma das Estradas”, o último livro de poesia publicado por Cesariny em 1980, numa versão revista e aumentada pelo autor em 2005.

Em setembro, o Prémio Mário Cesariny será entregue ao melhor aluno da Casa Pia, instituição à qual o artista deixou toda a sua herança. Ainda no mesmo mês, a galeria do Núcleo Museológico do Cemitério dos Prazeres recebe uma exposição de fotografias sobre o poeta.

E, logo a seguir, em outubro, a Assírio & Alvim edita a Poesia Reunida, a Documenta faz sair as Cartas de Mário Cesariny para Frida e Laurens Vancrevel, e a editora Chão da Feira leva o artista para o Brasil com a publicação de “Uma Grande Razão - Antologia Poética de Mário Cesariny”.

Em novembro, a Fundação Cupertino Miranda organiza os XI Encontros Mário Cesariny: poesia dita, apresentação de livros e seleção dos melhores espectáculos dedicados ao autor. Tudo em Vila Nova de Famalicão.