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Cultura

Porto. A cultura vai ao bairro com artistas capazes de esgotar coliseus

Sérgio Godinho, Simone de Oliveira e Diogo Infante e João Gil juntos em “Ode Marítima” são alguns dos destaques da iniciativa “Cultura em Expansão”, espalhada por vários bairros e zonas periféricas portuenses

André Manuel Correia

“Cultura em Expansão” é um projeto dispersamente unificado da Câmara Municipal do Porto (CMP) e transporta a arte até locais descentralizados, onde os palcos são humildes e de tamanho reduzido, mas o calor do público é elevado. A quarta edição traz um concerto de Sérgio Godinho, a 27 de maio, na Associação de Moradores do Bairro da Bouça, bem como a atuação de Simone de Oliveira, a 1 de julho, na Junta de Freguesia de Campanhã. Dois nomes incontornáveis da música portuguesa aliados a outros mais contemporâneos, como o guitarrista “Filho da Mãe”. À música junta-se o teatro, o cinema e os laboratórios artísticos em comunhão com a comunidade.

Uma das novidades é o ciclo de monólogos “Arena”, onde se insere “Ode Marítima”, protagonizada por Diogo Infante e musicada por João Gil, a partir do poema de Álvaro de Campos. O espetáculo terá lugar na Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira e marca a abertura da programação, a 25 de março, pelas 21h30. No mesmo local e à mesma hora, a 17 de junho é “Noite de Reis”, com a apresentação de uma criação do encenador John Mowat, a partir da obra de Shakespeare com o mesmo título, e interpretada por Leonor Keil. A 30 de setembro, Rui Catalão parte à “Conquista de Ceuta”, numa viagem em que a história de Portugal é revista à luz de acontecimentos anedóticos.

Sérgio Godinho toca na Bouça e Simone de Oliveira faz paragem em Campanhã

Do teatro passamos para a música, onde se encontram os principais destaques. Depois de a fadista Gisela João e o cantautor B Fachada terem sido cabeças de cartaz em 2016, a edição deste ano volta a levar grandes figuras musicais até aos lugares mais improváveis. “Dueto para Um” é o novo projeto do “Cultura em Expansão” e trata-se de um ciclo de quatro concertos em duplas, dispersos por vários pontos da cidade e sempre às 21h30.

Se falarmos do guitarrista Rui Carvalho, o nome não será certamente familiar, uma vez que é por “Filho da Mãe” que se tem afirmado no panorama da música alternativa e contemporânea em Portugal. A acompanhá-lo estará João Pais Filipe, na percussão, durante a atuação agendada para 7 de abril, na Associação Recreativa Malmequeres de Noêda.

A Sérgio Godinho, o homem que tem o “Elixir da Eterna Juventude”, junta-se o pianista Filipe Raposo para dar música na Bouça, a 27 de maio, na associação de moradores do bairro, e será caso para dizer: “Espalhem a Notícia”. Simone de Oliveira chega a Campanhã no dia 1 de julho e com ela vem também o pianista Nuno Feist para um espetáculo no auditório da referida junta de freguesia. O ciclo “Dueto para Um” fecha a 25 de novembro com um cine-concerto nas Fontainhas, com filmes de Edgar Pêra e música de Rui Lima e Sérgio Martins, numa produção a cargo da companhia “Circolando”.

A programação inclui também o ciclo quinzenal de cineclubismo “Nove e Meia”, que decorre quinzenalmente ao sábado, a partir de 20 de maio, na Associação de Moradores do Bairro da Lomba. Noutra ponta da cidade, em Aldoar, “Você Decide!”. O público é quem mais ordena neste ciclo de filmes pedidos e musicados ao vivo por António-Pedro, Eduardo Raon e Ricardo Freitas, com três sessões agendadas para 1 de outubro, 19 de novembro e 3 dezembro, sempre às 17h.

“A cultura nunca está fora do sítio”

O “Cultura em Expansão” encerra a 17 de dezembro, levando até ao palco do Teatro Municipal Rivoli o resultado do projeto cinematográfico e comunitário liderado por João Salaviza e Ricardo Alves Jr., intitulado“Tráfico”, e ainda o “Oupa!”, o já habitual trabalho de intervenção social e assente em oficinas artísticas dirigidas por André Tentugal, Vasco Mendes, Capicua e Dj D-One com jovens do Bairro da Pasteleira.

“Nunca quisemos manobras de puro entretenimento pontual”, assegurou Rui Moreira na conferência de imprensa de apresentação do programa. “Quando, há quase quatro anos, apresentei esta ideia, eu chamava-lhe ‘Cultura Fora do Sítio’, mas o Paulo [Cunha e Silva] corrigiu e disse: ‘ isto tem de se chamar ‘Cultura em Expansão’, porque a cultura nunca está fora do sítio. O sítio é sempre o sítio da cultura”, recordou o autarca, relativamente a uma iniciativa que chega aos bairros da Bouça, Lomba, Aldoar, Pasteleira e Fontainhas, bem como à zona oriental da cidade, em Campanhã, onde também tem paragem obrigatória. “Queríamos que o ‘Cultura em Expansão’ chegasse até locais inacessíveis, mas que nem por isso deixam de ser do Porto. E, por isso, são também eles locais de cultura”, defende o presidente da CMP.

Para esta edição, com um custo de 220 mil euros (mais 30 mil do que em 2016), houve a intenção de “experimentar novas fórmulas programáticas”, explicou Rui Moreira, mas também “sedimentar o trabalho” já efetuado. “Não queremos que seja um ato quase vulcânico de apoiar determinados projetos e depois abandoná-los. Tem de haver continuidade. Só assim se pode crescer”, considera o autarca.