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O amor para além da morte

“Realive” de Mateo Gil Grande Prémio do Fantasporto

DR

Filme sobre a ilusão da imortalidade vence 37ª edição do Fantasporto

Como vos tinha dito em crónicas anteriores, dois filmes dominaram absolutamente esta 37 ª edição do Fantasporto, sendo provável que um dos dois fosse premiado. Se o pendor do júri fosse mais para o cinema em sentido lato, era provável que o distinguido fosse “Realive”. Se a escolha fosse mais fechada, privilegiando o horror propriamente dito, então o destaque iria para “The Evil Within”.

Prevaleceu a primeira hipótese e, com toda a justiça, a produção franco-espanhola “Realive”, realizada por Mateo Gil, venceu o grande prémio, dedicado à secção oficial ou seja ao cinema fantástico. Um filme comovente, sem ser lamechas, que nos confronta com os limites éticos da medicina, com o admirável mundo novo que idealizamos e com o sentido do amor.

“The Evil Within” de Andrew Getty, EUA, não foi apesar de tudo esquecido, com a atribuição do prémio do melhor ator a Frederik Koelher, tal como o não foi o filme irlandês “A Dark Song” de Liam Gavin, uma descida aos infernos para reconciliar uma mãe cujo filho foi assassinado com os seus desejos de vingança: foi atribuído o prémio da melhor atriz a Catherine Walker. O interessante filme britânico de ficção científica “The Darkest Dawn” de Drew Casson recebeu o prémio para os melhores efeitos especiais. Ainda um prémio especial para o hilariante filme brasileiro “A Repartição do Tempo” de Santiago Dellape que nos ajuda a perceber como pôde Dilma ser destituída e Temer e Cunha ficarem…

“Saving Sally” prémio especial do júri

“Saving Sally” prémio especial do júri

Na Semana dos Realizadores, instituída desde a 10ª edição do festival para distinguir primeiras e segundas obras de novos autores, o grande prémio foi para “Pamilya Ordinario/Gente Comum” do filipino Eduardo W. Roy Jr, sobre o mundo amargo dos pobres que vivem na rua e sobrevivem à custa de expedientes. A protagonista deste filme Hasmine Kilip recebeu o prémio da melhor atriz desta secção competitiva, ex-aequo com Nahel el Sebai, protagonista de “Sins of Flesh”, notável filme sobre a moral islâmica tendo em pano de fundo a Primavera Árabe. O prémio do melhor actor foi para o sul-coreano Park ji-Il pela sua interpretação em “The Net” de Kim Ki Duk. No capítulo do melhor argumento a distinção foi para os húngaros Ivan Szabo e Roland Vranik para “The Citizen”, a história amarga de um africano que tem tudo para lhe poder ser atribuída a cidadania menos… a cor da pele.

O prémio do público foi para a produção franco filipina “Saving Sally” de Avid Liongoren, curiosa mistura de imagens de atores e desenho animado, indo o prémio da crítica ex-aequo para “Division 19” da norte-americana Suzie Halewood (uma sátira bem atual aos “reality shows”, agora que Trump é presidente) e “Caught” do britânico Jamie Patterson.

Para o ano – diz a organização – há mais, ainda que o cenário do festival possa não ser com absoluta certeza o cineteatro municipal Rivoli.