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“Obrigado, Donald Trump. Lembram-se do ano passado, quando parecia que os óscares eram racistas?”

Jimmy Kimmel apresenta a cerimónia pela primeira vez

MARK RALSTON/GETTY

O habitual monólogo a abrir a cerimónia dos óscares encheu-se de política, com boas reações do público presente - e ainda houve uma ovação de pé para a "sobrevalorizada" Meryl Streep. "Bonito vestido, é da Ivanka?"

Este não é um ano normal para a Academia – poucas vezes terá havido tanta expectativa para saber se o apresentador encarregado de apresentar a maior cerimónia de Hollywood se atreve a aventurar-se pelos caminhos da política, e na passadeira vermelha que antecedeu o arranque destes óscares a tendência pareceu ser a de contornar o assunto Trump.

Mas então, depois de uma bem disposta atuação de Justin Timberlake com a sua “Can’t Stop This Feeling”, do filme “Trolls”, apareceu Jimmy Kimmel, o apresentador desta edição, para nos esclarecer sobre as suas intenções relativamente a piadas políticas. “Alguns de vocês poderão subir ao palco e fazer um discurso que será comentado pelo presidente dos Estados Unidos, no Twitter, às cinco da manhã”, gracejou o apresentador, num dos momentos que arrancaram gargalhadas ao público presente.

O presidente foi o tópico de várias das piadas do habitual monólogo de abertura, e especialmente do primeiro momento a merecer uma ovação em pé. Lembrando o discurso dos Globos de Ouro de Meryl Streep, em que a atriz criticou o presidente e recebeu como resposta um tweet em que Trump a considerava “sobrevalorizada”, Kimmel pediu uma ovação de pé para a atriz, que ironicamente caracterizou como “sobrestimada” e protagonista de trabalhos “medíocres”. Para terminar o momento, mais uma referência ao universo Trump: “Bonito vestido, é da Ivanka?”.

As referências a temas políticos foram geralmente bem recebidas, com aplausos para o apelo à união entre “pessoas que discordam” – que aproveitou como pretexto para mais uma piada sobre a sua eterna relação estilo cão e gato com Matt Damon, também ali presente como produtor de “Manchester by the Sea” – e os habituais gracejos sobre o regresso de Mel Gibson, que pareceu reagir bem às piadas de Kimmel: “Estás com bom aspeto. A cientologia está a resultar”.

Sobre os tempos que vivemos, houve um agradecimento para Donald Trump (“Lembram-se do ano passado, quando parecia que os óscares eram racistas?” foi a piada recebida com risos entusiastas do público presente) e referências irónicas às histórias de “Hidden Figures” e “La La Land” (“Os negros salvam a NASA e os brancos salvam o jazz. É a isto que se chama progresso”).

Também houve gracejos sobre Isabelle Hupert, nomeada para melhor atriz principal por “Elle”, e Viggo Mortensen, concorrente a melhor ator por “Captain Fantastic”: “É bom quando a Academia reconhece o méritos de filmes que as pessoas não veem”.

Kimmel ainda teve tempo, antes de dar início oficial à cerimónia, uma incursão pelas expectativas desiguais que mulheres e homens enfrentam na indústria, com um comentário aos quilos que Andrew Garfield teve de perder para protagonizar “O herói de Hacksaw Ridge”: “É a maior transformação física feita desde… qualquer papel por qualquer mulher, em qualquer filme”. O ator reagiu com bom humor.