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Diretor do MNAA diz que análise às pinturas suspeitas ainda “vai ser avaliada”

Mário Cruz/ Lusa

Contrariando as declarações que o ministro da Cultura prestou na terça-feira ao Expresso em que dizia ter sido pedida autorização para novos exames

O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, afirmou esta quarta-feira que as análises às obras sobre as quais se estrutura a exposição "A Cidade Global", que o museu inaugura na quinta-feira, "vai ser avaliada".
Em declarações aos jornalistas, no final de uma conferência de imprensa sobre a exposição que é inaugurada na quinta-feira, o diretor do museu disse que as três pinturas em causa, sobre as quais surgiram alegações de falsidade, foram anteriormente alvo de análise, e nova peritagem "vai ser avaliada".

"É preciso saber se é possível ir mais fundo nas análises, e também se os proprietários autorizam essa peritagem", disse o responsável do museu aos jornalistas.

No fim de semana, o semanário Expresso publicou dois artigos nos quais os historiadores Diogo Ramada Curto e João Alves Dias levantavam dúvidas sobre a autenticidade dos quadros "A Rua Nova dos Mercadores", ponto de partida da exposição, e de "O Chafariz d´El Rei", que apresentam cenários da Lisboa do século XVI.

"A Rua Nova dos Mercadores", que os investigadores têm situado entre 1590 e 1610, está dividida em dois painéis, e é propriedade da Society of Antiquaries of London, enquanto "O Chafariz d´El Rei" terá sido pintado entre 1570 e 1580, e pertence à coleção de José Berardo.

O Expresso também avançou que o Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, disse que já foi pedida autorização aos proprietários dos quadros para analisar em laboratório a sua datação e esclarecer a polémica.

A inauguração de "A Cidade Global - Lisboa no Renascimento" está marcada para as 18h30 de quinta-feira e a abertura ao público na sexta-feira, com 250 peças da época do Renascimento.

Esta quarta-feira, numa conferência de imprensa sobre a exposição, no MNAA, o diretor leu uma declaração assinada pela direção sobre a questão levantada pelo Expresso e chamou a atenção que a mostra assenta no livro das historiadoras Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe, "The Global City: On the Streets of Renaissance Lisbon", "amplamente celebrado pela crítica internacional".

Nele, as autoras fazem uma reconstituição do ambiente da cidade de Lisboa no ciclo dos Descobrimentos, a partir de dois quadros que haviam identificado como uma representação da Rua Nova dos Mercadores, a principal artéria comercial de Lisboa no período do Renascimento.

Foi "pelo ineditismo da sua visão e objetiva relevância histórica" que o MNAA entendeu convidar as autoras a adaptarem o livro a uma exposição: "A Cidade Global: Lisboa no Renascimento", que ficará patente até 9 de abril.

António Filipe Pimentel sustentou ainda que a mostra conta com o contributo de Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014, como consultor para a História da Ciência e que reúne "um conjunto, o mais diversificado possível, de acervos, públicos e privados, nacionais e internacionais, numa amostra inédita de obras, todas creditadas ou pela documentação ou pela comunidade científica".

Sobre as notícias de Expresso, o diretor afirma que, nesta questão que "é do foro da História da Arte", o semanário dá voz "a dois historiadores, assumidamente não especialistas nesta área científica, deixando em silêncio os da especialidade, não obstante reconhecer os seus contributos, genericamente de orientação oposta".

Aos jornalistas, António Filipe Pimentel disse ainda considerar que o conteúdo dos artigos "é uma atoarda extravagante com comentários de grande superficialidade de pessoas que não são da área da História da Arte".