Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Crime na Califórnia

Shailene Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman são as três peças fundamentais da nova série da HBO

HBO

O romance de Liane Moriarty transformou-se em minissérie. A atriz
 e produtora-executiva Nicole Kidman explica tudo sobre “Big Little Lies”, com estreia mundial marcada para esta madrugada no TVSéries

A calma de um lugar como Monterey, plantado em frente ao mar duas horas a sul de São Francisco, condiz com a vida na cidade norte-americana. O pôr do sol acontece todos os dias no Oceano Pacífico, mas esta é apenas mais uma das certezas de uma sociedade de classe alta sem preocupações de maior. O estado de graça não durará muito mais tempo e tudo se complica quando um homicídio perturba a serenidade do local e altera as rotinas dos habitantes. Já se viveram dias mais pacíficos e a investigação ainda está no início. É preciso procurar provas e identificar suspeitos entre as pessoas mais insuspeitas.

“Big Little Lies” conta a história de três mulheres, que escondem os seus segredos e vivem uma vida de fachada que pouco corresponderá à sua realidade. Entre os atos e as omissões, são muitos os seus pecados. Madeline Martha Mackenzie (interpretada por Reese Witherspoon) vive em frente ao mar e a sua principal ocupação é encarregar-se de levar o filho à escola, mas o excesso de tempo fá-la pensar mais na vida dos outros do que na sua. Os ciúmes da nova mulher do ex-marido, uma instrutora de ioga, consomem-na e a inveja da vida da melhor amiga Celeste Wright (Nicole Kidman) não ajuda. Esta é uma antiga advogada de topo casada com um homem mais novo, Perry (Alexander Skarsgård), mas será que o matrimónio é tão perfeito quanto parece? Talvez não seja e Jane Chapman (Shailene Woodley) acabe por descobrir toda a verdade. A jovem mãe solteira — com um passado sombrio e um filho que deixa todos inquietos — é a nova aquisição de Madeline e Celeste, que a aceitam no seu grupo contra a vontade de Renata Klein (Laura Dern). Em breve, as festas, o jogging e os romances serão substituídos pelos interrogatórios, pelas fugas à verdade e pelas acusações de parte a parte. Aguardemos.

A construção de uma série

Em declarações enviadas ao Expresso, Nicole Kidman assume a dianteira e explica como tudo começou. A atriz australiana conheceu “Pequenas Grandes Mentiras” (de Liane Moriarty, editado em Portugal pela Asa e disponível também em formato digital) através de Bruna Papandrea — produtora e sócia de Reese Witherspoon —, que lhe falou do romance e a desafiou a criar uma série a partir dele. O pontapé de saída estava dado e Kidman decidiu deslocar-se à Austrália para convencer Moriarty a entregar-lhes os direitos televisivos do seu best-seller literário. A autora aceitou, mas com uma condição: Nicole teria de interpretar Celeste Wright. Negócio fechado.

Depois foi necessário começar a tratar de tudo o que uma produção televisiva implica. “O Per Saari, que é meu sócio e produtor [na Blossom Films] entrou para o projeto e começámos os quatro a trabalhar nele”, conta Nicole Kidman, que continuava à procura de alguém capaz de passar o livro para um novo formato. Alguém que conseguisse “trabalhar naquela charneira entre o drama e a comédia” e gostasse “de explorar personagens ao longo de vários episódios”.

Os produtores acabaram por escolher David E. Kelley — criador da aclamada série “Goliath”, disponível no Amazon Prime Video —, “que soube exatamente qual seria o tom da série” e concordou com a visão de Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Bruna Papandrea e Per Saari. A ideia, explica Kidman, era fazer “um filme de sete ou oito horas, para que a experiência se mantivesse com uma qualidade cinematográfica”. Após uma leitura “dos primeiros rascunhos”, o realizador Jean-Marc Vallée juntou-se também à equipa e aceitou dirigir os trabalhos, agora já com luz verde da HBO.

Passaram apenas 18 meses até estarem em produção, com a ação a decorrer agora em Monterey, na Califórnia, em vez de Sydney, na Austrália. Nicole foge à polémica e explica que “os temas são universais” e que a decisão foi tomada tendo em conta a audiência global da produção. Além disso, frisa, “quando traduzes um livro para o ecrã, seja qual for a sua forma, tens de permitir que o realizador e o argumentista se apoderem da história e façam dela algo seu”. As mudanças eram necessárias e Liane Moriarty não se opôs.

O regresso de Nicole Kidman ao mundo da televisão — a atriz não entrava numa série desde 1989, em “Regresso a Banguecoque” — apanhou todos de surpresa, mas a australiana mostrou não ter quaisquer preconceitos quanto ao formato, que considera ter “imensa qualidade nos dias que correm”. Para a também produtora-executiva, “os atores estão todos à procura de grandes histórias e de grandes oportunidades” e a busca torna-se “mais difícil quando existe apenas um meio”.

Felizmente, isso agora não está em causa e não há “qualquer estigma” em relação à televisão, que “permite alcançar muitas pessoas de forma direta”. Questionada sobre a possibilidade de fazer novos trabalhos televisivos, Kidman é perentória e garante que vai continuar a apostar no pequeno ecrã.

A minissérie de sete episódios, que conta com um elenco recheado de estrelas de cinema, é uma das grandes apostas da HBO para o novo ano. Com estreia mundial marcada para amanhã (o primeiro episódio é exibido na madrugada deste domingo para segunda-feira, pelas 2h, no TVSéries), “Big Little Lies” será depois exibida em horário nobre às segundas-feiras, pelas 22h45.