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Fantasporto traz “A Idade das Sombras” numa edição mais cor de rosa

O universo fantástico do cinema está de volta ao Porto com 132 filmes. Desde a ação de Taiwan até à fantasia argentina, e com passagem assegurada pelo imaginário “cor de rosa” das telenovelas brasileiras, muito há para ver no Fantasporto

A festa do cinema fantástico está de regresso, entre dia 20 de fevereiro e 5 de março, à baixa portuense com a 37.ª edição do Fantasporto. Para este ano, o Teatro Rivoli servirá novamente de casa a uma programação eclética, com 132 produções internacionais – das quais 55 portuguesas –, várias delas em antestreia mundial e provenientes de 35 países. Um dos focos recai sobre filmes de ação oriundos de Taiwan e a abertura cabe à produção “The Swordsman Of All swordsmen” (1968), do realizador Joseph Kuo, pelas 21h30, no Grande Auditório da sala de espetáculos.

Também no dia inaugural – pela mesma hora, mas no Pequeno Auditório – tem início outra das retrospetivas do festival centrada no cinema fantástico argentino. “Malditos Sean” (2011), um filme de Fábian Forte e Demian Rugno, leva o público até um enredo no qual “um curandeiro amaldiçoa pessoas e faz com que elas vivam experiências aterradoras”, pode ler-se na sinopse.

As viagens pelo cinema de Taiwan e pela sétima arte do país do tango prolongam-se num plano contínuo até 24 de fevereiro, dia em que começam oficialmente as competições do Fantasporto, dividido em cinco secções: “Cinema Fantástico”, “Orient Express”, “Cinema Português”, “Semana dos Realizadores” e “Premiere e Panorama”.

Desde o “cor de rosa” do pequeno ecrã até à Idade das Sombras

A componente competitiva do evento abre com a exibição do filme “The Age of Shadows” (2016), do cineasta Kim Jee-woon, uma ficção indicada pela Coreia do Sul para os Óscares e que nos transporta até aos anos 1920, onde um grupo de resistentes coreanos se envolve num jogo do gato e do rato com os invasores nipónicos.

A estreia em Portugal está agendada para 2 de março e esta será uma oportunidade de ver em primeira mão a obra que foi selecionada como “Melhor Filme” no Festival de Filadélfia e integrou ainda a seleção oficial dos festivais de Veneza e Toronto. O realizador sul-coreano regressa assim ao Fantasporto, após ter sido distinguido como vencedor em 2004 com “A Tale of Two Sisters”.

Entre os filmes portugueses, destaque para a estreia mundial de “A Ilha dos Cães”, a 25 de fevereiro, no Grande Auditório, pelas 18h30, um filme do realizador Jorge António, com a particularidade de ser o último trabalho em que participou o ator Nicolau Breyner, homenageado pelo festival em 2016. No dia seguinte, pela mesma hora, José Pedro Lopes guia-nos até à “Floresta das Almas Perdidas” (2017), perdida no interior de Portugal e conhecida pelas constantes práticas de suicídio.

Mas nem tudo é sombrio e, na edição de 2017, o Fantasporto regressa mais “cor de rosa”, de acordo com as palavras do codiretor Mário Dorminsky. No evento vão marcar presença várias estrelas brasileiras do TV Globo, mais conhecidas pelos seus trabalhos no pequeno ecrã.O público terá a oportunidade de ver bem de perto algumas vedetas das telenovelas, como a atriz Mariana Ximenes, Mariana Ruy Barbosa e Glória Perez, presenças confirmadas no festival para apresentarem três séries televisivas: “Supermax”, “Amorteamo” e “Dupla Identidade” – um enredo que nos leva a conhecer a mentalidade de um serial killer).

Na fronteira entre o comercial e o não-comercial

A 4 de março, às 16h30, será exibido no Grande Auditório a clássica comédia de fantasia “Drop Dead Fred” (1991), do realizador holandês Ate de Jong, homenageado nesta edição com o “Prémio de Carreira”, marcando presença também para apresentar o seu mais recente trabalho, em competição, “Love is Thicker than Water”.

A programação é tão vasta e variada que, afirma Mário Dorminsky, seria possível “fazer quatro edições do festival com qualidade”. O objetivo passa por ter “um tipo de cinema feito em países que depois não é exibido em Portugal”, explica o responsável. “Estamos numa linha entre o comercial e o não comercial”, define Dorminsky, que divide desde 1981 a organização do evento com Beatriz Pacheco Pereira, responsável pela seleção das obras a concurso.

O Fantasporto está cotado pela imprensa especializada entre os dez festivais mais significativos no circuito independente. Nomes incontornáveis como David Lynch, Peter Greenaway, Luc Besson, David Cronenberg, Quentin Tarantino, David Fincher, Peter Jackson ou Guillhermo Del Toro figuram na lista de honra do ‘Fantas’, onde apresentaram alguns dos seus primeiros trabalhos.

O orçamento para esta edição atingiu os 150 mil euros, valor bastante inferior ao de há 10 anos, por exemplo em que os gastos do evento organizado pela Cinema Novo chegavam a 1 milhão.

A programação integral, bem como os horários das sessões, pode ser consultada aqui.