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Dar música ao cinema com “Luzes da Cidade” e terror no Dia de São Valentim

"Luzes da Cidade"

D.R.

“Luzes da Cidade”, de Charlie Chaplin, e o clássico de terror “Nosferatu”, de Friedrich Murnau, vão estar em evidência no “Invicta.Música.Filmes”, na Casa da Música

André Manuel Correia

O cinema sem música seria um erro? Não, mas não seria, certamente, a mesma coisa. Assim, chega à Casa da Música (CdM) a quinta edição do festival de cineconcertos “Invicta.Música.Filmes”. Este sábado, pelas 18h, acendem-se na Sala Suggia as “Luzes da Cidade” (1931), uma das mais célebres comédias românticas da história cinematográfica. Obra-prima realizada e com música original de Charlie Chaplin, acompanhada ao vivo pela Orquestra Sinfónica do Porto, encarregue de dar uma nova vida à banda sonora que marca o ritmo das peripécias do ilustre e genial vagabundo, perdido de amores por uma florista cega.

“Uma coisa boa no sonoro é que posso controlar a música dos meus filmes, então compunha-a eu próprio. Procurei criar música elegante e romântica para enquadrar as minhas comédias, contrastando com a personagem do vagabundo, porque a música elegante dá às minhas comédias uma dimensão emocional. Os arranjadores raramente entendiam isto, queriam que a música fosse cómica”. As palavras são de Charlie Chaplin, mestre e visionário da sétima arte.

O coordenador da programação clássica da Casa da Música, Rui Pereira, conta que o objetivo é “exibir filmes, normalmente sobejamente reconhecidos, mas com a característica de serem acompanhados [musicalmente] ao vivo” pelos agrupamentos da CdM. “Normalmente, os filmes são da era do cinema mudo, em que a música tinha um papel muito especial. Fazia parte da narrativa. Muitas vezes, a banda sonora conta a história, deixa adivinhar o que se está a passar e dá uma leitura completamente diferente”, frisa o responsável artístico.

A sessão para as “Luzes da Cidade” está já esgotada. Mas não desespere. A programação leva igualmente o público a conhecer ou revisitar, de uma outra forma, “Nosferatu” (1922), uma sinfonia de terror desconcertante de Friedrich Murnau, pautada agora ao ritmo da Remix Ensemble e com partitura contemporânea de Michael Obst, estreada recentemente em Paris.

A próxima terça-feira, 14 de fevereiro, Dia de São Valentim, será o momento apropriado para os cinéfilos mais apaixonados pelo expressionismo alemão dos anos 1920 se deixarem envolver num enredo mudo, mas onde sobressaltos interiores vão gritar bem alto, a partir das 19h30, também na Sala Suggia.

Épicos contemporâneos e improvisos sobre paisagens nórdicas

No dia 19 de fevereiro não há filmes para ver, mas há bandas sonoras bem conhecidas do grande público para ouvir num concerto a cargo da Banda Sinfónica Portuguesa, responsável por transportar os espectadores para outros mundos e universos fantásticos. Desta feita, não são os clássicos a assumirem-se como protagonistas, mas sim épicos mais recentes, como os casos de “Star Wars” e “ET” – ambos com composições de John Williams – ou a Sinfonia N.º1 de “O Senhor dos Anéis”, da autoria de Johan de Meij.

No dia 21, o agrupamento de trompas “Cinematic Horn Ensemble” estreia-se na Casa da Música num espetáculo musical para fazer ecoar temas inesquecíveis de filmes como “Braveheart”, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, “Piratas das Caraíbas” ou “Independence Day”.

Este festival procura ir ao encontro de diferentes públicos, com uma oferta bastante eclética e também pensada para os mais novos, nomeadamente com uma sessão, este sábado, dedicada ao cinema de animação. O cineconcerto “Floresta Animada”, dirigido e com interpretação da “Space Ensemble”, exibe um conjunto de curtas-metragens finlandesas, com vista privilegiada para a paisagem e cultura nórdicas. Os temas que acompanham os pequenos filmes são “construídas através de improvisação, dando resposta às imagens que [os músicos] estão a ver”, explica Rui Pereira

Numa época em que a cidade Invicta redescobre a paixão pelo cinema e aposta na sua valorização – com a reabertura do Cinema Trindade e o anúncio do projeto de revitalização do Batalha – o “Invicta.Música.Filmes” assume-se como mais uma forma de aproximar a sétima arte do público portuense. “A relação entre a primeira e a sétima arte é indissociável. Hoje em dia não conseguimos quase pensar num filme sem música. O festival atrai muitos cinéfilos e é uma oportunidade fantástica de cruzamento de públicos, sempre com grande sucesso”, assegura o programador da CdM.

A programação completa e outras informações podem ser consultadas aqui.