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Todos podem dançar blues na Casa da Música. Até quem tem “dois pés esquerdos”

Bertino Araujo

Os ritmos e os passos dos blues vão invadir a Casa da Música entre esta quinta-feira e domingo, na quarta edição do festival Atlantic Blues

Dançar com alma e coração. Eis o desafio e o mote para o festival internacional Atlantic Blues. Organizado pela escola de dança Swing Station, o evento vai contagiar a Casa da Música (CdM), no Porto, com o pulsar deste estilo norte-americano, influenciador de outras tipologias musicais, como o jazz, a soul, o rock n’ roll, entre outras. A partir desta quinta-feira e até domingo, a iniciativa reúne os amantes de blues.

Destinada a aficionados e a meros curiosos, a programação abarca uma aula aberta gratuita esta quinta- feira, a partir das 22h, workshops de dança lecionados por conceituados professores internacionais, festas a cargo de Dj’s, bem como atuações de bandas como Sleepy Roosters e Hearts & Bones.

No ano em que a programação da Casa da Música se abre à cultura britânica, a 4.ª edição do Atlantic Blues – não inserido na programação oficial da casa de espetáculos – promete transformar a Invicta num terreno fértil para as raízes dos ritmos e movimentos de um estilo surgido nas terras do Tio Sam, no final do séc.XIX, com remanescências africanas, e centrado na expressão pessoal.

Os workshops estão pensados para vários níveis, com enfoque em danças de pares ou a solo. Na sexta-feira, entre as 16h e as 21h50, na Sala 2 da CdM, para os que já possuem algumas bases existem três aulas de diferentes níveis de dificuldade para dança em pares e ainda um nível avançado de Solo Blues.

A aprendizagem é orientada por reputados especialistas internacionais: as espanholas Alba Mengual e Noemí Blue, o hispano-argentino Gastón Fernandez, o inglês Vicci Moore, o italiano Adamo Ciarallo e a portuguesa Eva Azevedo.

Para os menos acostumados a estas (an)danças, realiza-se no domingo, entre as 16h30 e as 18h30, um workshop a cargo de dois professores do projeto Swing Station, Carla Frade e Hugo Domingos, vocacionado para quem se quer aventurar a dar os primeiros passos.

O Atlantic Blues conta igualmente com três festas na Casa da Música – sexta-feira, sábado e domingo. Os momentos musicais vão estar a cargo, por exemplo, da banda Sleepy Roosters, que atua sexta e sábado a partir das 23h no restaurante da CdM. No domingo, às 22h30, no mesmo local, realiza-se o concerto da formação portuguesa Hearts & Bones.

Uma dança social para todos, até para quem tem “dois pés esquerdos”

A escola Swing Station é um projeto dirigido pela bailarina norte-americana Abeth Farag, nascida e criada na Califórnia mas que há vários anos escolheu Portugal para viver. Quando chegou, começou a dar aulas de danças vintage americanas, sobretudo para conseguir ter parceiros com quem pudesse partilhar a sua paixão, uma vez que em Portugal os praticantes eram escassos.

Uma das suas alunas foi Carla Frade, que começou a ter aulas em 2011 e atualmente é uma das professoras de dança, especializada em blues, na escola Swing Station. À conversa com o Expresso, Carla explica que “todas as pessoas podem aprender” (até aquelas que “têm dois pés esquerdos”) e garante que há bastante interesse por parte do público. “Portugal gosta de dançar”, afirma a responsável, para quem a componente social e de convívio é um fator bastante aliciante. “Quem quiser fazer exercício vai para o ginásio. Vem dançar quem quiser mexer o corpo, socializar, divertir-se e tiver gosto pela música”, acrescenta.

As pessoas que mais procuram aprender têm entre os 20 e os 30 anos, conta Carla Frade, que, no entanto, se mostra “bastante contente ao verificar que pessoas com 40, 50 ou 60 anos também já começam a interessar-se”.

A programação integral, os horários e os preços para este festival podem ser consultados aqui.