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Miguel Araújo, Abrunhosa e UHF no Sons de Vez

Os UHF vão, 30 anos depois, interpretar na íntegra o seu álbum de estreia, "À Flor da Pele"

Nuno Fontinha

Festival de Arcos de Valdevez arranca este sábado, prolonga-se até 31 de março e funcionará como montra da música nacional

André Manuel Correia

Os meses de verão parecem ainda uma miragem, mas os festivais de música já aquecem com cartazes fervilhantes, enquanto muitos melómanos estão numa espera trepidante para o que aí vem. Não será preciso aguardar muito, porque arranca já este sábado a 15.ª edição do festival Sons de Vez, realizado no município minhoto de Arcos de Valdevez. Miguel Araújo, UHF e Pedro Abrunhosa são alguns dos nomes mais sonantes que vão passar pela Casa das Artes ao longo de oito fins de semana.

Foi com Os Azeitonas que Miguel Araújo se deu a conhecer ao público português, mas não foram necessários aviões para projetá-lo numa carreira a solo recheada de sucesso. O músico, cantor e compositor é o nome escolhido para abrir o evento este sábado e leva até Arcos de Valdevez as “Crónicas da Cidade Grande”, título do seu mais recente trabalho discográfico. A primeira parte fica a cargo de VIA – diminutivo de Elvira –, um dos talentos emergentes desta edição.

O sábado seguinte é dedicado ao revivalismo do rock. No início da década de 1980 dava-se o boom do rock português e várias bandas, influenciadas pelo movimento punk, que ganhava força em Inglaterra, emergiram num período em que o país estava ainda a descobrir a liberdade e o que fazer com ela. Em 1981, os UHF – após terem invadido as rádios com “Cavalos de Corrida” – editavam o LP de estreia “À Flor da Pele”, tido em alguns sectores como um dos mais emblemáticos álbuns de rock feitos em Portugal até à atualidade. Dele foi extraído o ‘single’ “Rua do Carmo”.

Mais de três décadas volvidas, a 18 de fevereiro, a banda liderada por António Manuel Ribeiro vai dar uma nova vida às canções do primeiro LP – revisitado nesta edição do Sons de Vez –, mas com passagens inevitáveis também por outros temas que atravessaram e inspiraram gerações. Antes da atuação dos UHF, a Casa das Artes recebe o concerto de outra instituição do rock português, os Jarojupe, banda com mais de 30 anos formada pelos irmãos Parente e que apresenta o mais recente disco “A force of nature”.

Bezegol (25 de fevereiro), Diogo Piçarra (4 de março), Fado Violado (11 de março), os riffs eletrizantes dos “Bed Legs” e dos “Twist Connection” (18 de março) e o regresso ao festival, a 25 de março, de Pedro Abrunhosa, em “Contramão”, são outros dos atrativos do cartaz.

O certame encerra a 31 de março ao som do hip-hop, com destaque para o rapper portuense Maze, integrante dos Dealema, mas também para as rimas de “Chillange” e “Abyss”.

Um festival de felicidade partilhada

Em entrevista ao Expresso, o diretor do festival e da Casa das Artes de Arcos de Valdevez evidencia o “convívio intergeracional e de sensibilidades” que, na sua opinião, “faz a forte identidade “do festival Sons de Vez. Nuno Soares destaca igualmente o “intimismo” do auditório que proporciona uma relação sem barreiras entre o público e os artistas. “É quase como um clube londrino, onde um conjunto de pessoas partilha uma mesma felicidade de forma intimista”, assegura.

Apesar do orçamento reduzido para um festival inteiramente financiado pela autarquia local, o Sons de Vez está pelo segundo ano consecutivo nomeado para os Iberian Festival Awards, na categoria de Best Indoor Festival. Os vencedores serão anunciados a 16 de março, em Madrid, mas para Nuno Soares a nomeação já representa um enorme triunfo.

“É um reconhecimento não só para a organização mas para o próprio público” que, conta o organizador, chega de todas as partes do país. “Muitas vezes, as pessoas vêm também a reboque da oportunidade de usufruírem de um bom fim de semana, porque Arcos de Valdevez é uma localidade convidativa”, acrescenta.

O auditório da Casa das Artes, com capacidade para 230 pessoas, servirá assim mais uma vez de montra à música portuguesa. Na edição de 2016, sensivelmente 1900 pessoas marcaram presença no evento ao longo de todos os dias do evento, quase sempre com salas cheias.