Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Obra “provocadora” vale prémio a Artur Barrio

Vencedor do Grande Prémio Fundação EDP Arte 2016, o artista de 72 anos diz que a distinção é “um reconhecimento e incentivo à continuação do trabalho”, caracterizado pela utilização de materiais efémeros e precários, como o sal, o papel higiénico, o sangue, o pó de café, o pão e a carne

O presidente executivo da EDP sublinha que a obra "provocadora" de Artur Barrio, vencedor do Grande Prémio Fundação EDP Arte 2016, "marcou a diferença" pelo seu percurso. António Mexia falava esta manhã, em Lisboa, na cerimónia de apresentação do galardoado, de 72 anos, nascido no Porto, mas residente no Brasil desde 1955, cuja obra conquistou a unanimidade do júri, pelo "interesse e relevância histórica de uma carreira de mais de 40 anos dedicada à prática artística".

"Este é o maior prémio de arte em Portugal e tem o objetivo de distinguir pessoas que deram um contributo decisivo para a evolução da disciplina, mesmo que sejam nomes menos conhecidos do público", salientou o presidente da EDP.

Esta sétima edição do galardão mantém o valor de 50 mil euros e a realização de uma exposição retrospetiva ou antológica, com a publicação de um catálogo para referência historiográfica e bibliográfica, que a organização está a planear para 2019.

Por seu turno, o artista considera o prémio "um reconhecimento e incentivo à continuação do trabalho", caracterizado pela utilização de materiais efémeros e precários, como o sal, o papel higiénico, o sangue, o pó de café, o pão, a carne.

Em 2011, Artur Barrio foi vencedor do Premio Velázquez de Artes Plásticas, concedido pelo Ministério espanhol da Cultura, e, nesse ano, foi convidado a representar o Brasil na Bienal de Veneza.

"Atitude é um conceito chave no trabalho de Artur Barrio. O que está presente nessa palavra – que ele transformou vezes sem conta nos seus trabalhos, situações e performances – é uma noção do pessoal, da reação individual às circunstâncias, ao nosso tempo", realça um dos membros do júri, Chus Martinez, curadora e diretora do Institute of Art da FHNW Academy of Art and Design em Basileia, na Suíça.

O júri também sublinhou o poder de "transformar o espectador em testemunha", como no caso da intervenção intitulada "Trouxas Ensanguentadas", que se tornou numa referência da arte contemporânea no Brasil e da luta contra a repressão da ditadura brasileira.

Esse trabalho consistiu na colocação de sacos com materiais orgânicos e dejetos dando a impressão de que se tratavam de corpos ensanguentados, em vários momentos, nomeadamente no Parque Municipal de Belo Horizonte (Minas Gerais), em 1970, tendo atirado 14 trouxas ao rio Arrudas.

O júri foi constituído por António Mexia (presidente do conselho de administração executivo da EDP e presidente da Fundação EDP), Pedro Gadanho (diretor do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia – MAAT), João Pinharanda (historiador e crítico de arte e atual adido cultural junto da Embaixada de Portugal em Paris), Hans Ulrich Obrist (diretor artístico da londrina Serpentine Galleries), Suzanne Cotter (diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves), Chus Martinez (diretora do Basel Art Institute), Emília Tavares (conservadora e curadora para a área da Fotografia e Novos Media, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado) e Nuno Crespo (investigador e crítico de arte).

Criado em 2000, o Grande Prémio Fundação EDP Arte é uma iniciativa trienal da Fundação EDP e, na última edição, em 2013, foi atribuído à artista Ana Jotta. O galardão tem como objetivo a consagração de um artista plástico, com carreira consolidada e historicamente relevante, cujo trabalho contribua para afirmar e fundamentar as tendências estéticas contemporâneas portuguesas.

O prémio começou por ter uma periodicidade bienal, que passou a trienal em 2004.

Noutras edições, o Grande Prémio Fundação EDP Arte distinguiu Lourdes de Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004), Eduardo Batarda (2007) e Jorge Molder (2010).

Pedro Gadanho, diretor do MAAT, indicou que a exposição da anterior premiada, a artista Ana Jotta, será realizada no final deste ano.