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Netflix chegou aos 94 milhões de subscritores

SUSPENSE. “OA” é das séries de maior sucesso da Netflix. Os espectadores deram-lhe quase nota máxima

d.r.

A Netflix angariou 19 milhões de clientes em 2016, tendo sido o ano em que bateu o recorde de captação de subscritores, na operação global. Fechou o ano a anunciar um total de 94 milhões de assinantes, quase mais 20 milhões do que em 2015 e mais de 37 milhões quando comparado com o balanço final de 2014

Luís Proença

A Netflix tem uma estratégia que assenta essencialmente em dois tempos: conquistar o máximo de subscritores, no maior número de países onde haja condições na distribuição digital que possam providenciar bom acesso ao vídeo em “streaming”, investindo fortemente na compra de conteúdos, sobretudo originais e exclusivos, em primeiro lugar; cuidar a prazo de recuperar o investimento e ingressar nos lucros. Como não há bolas de cristal que mostrem o futuro, as opiniões sobre se a estratégia será bem-sucedida dividem-se, havendo analistas que advertem para a hipótese de a companhia não ter capacidade de resistência para chegar aos lucros devido ao intenso nível de investimento que leva para mais de três anos, associado a um calendário de amortizações esticado no tempo. Entre os que partilham desta perspetiva, alguns erguem a voz para prever que a companhia acabará por ser comprada por um dos gigantes dos media ou das tecnológicas.

Na apresentação de resultados de 2016, a Netflix anunciou que conta vir a conseguir mais 5,2 milhões de subscritores no primeiro trimestre deste ano. As projeções feitas na ocasião apontam, porém, para vir a terminar 2017 com um “free cash flow” negativo um pouco acima dos 1.860 mil milhões de euros. E se houver necessidade de incrementar mais o investimento, a companhia faz saber que pedirá mais empréstimos, aumentando a divida de longo prazo que já quadruplicou desde 2014. Globalmente, o maior “player” na distribuição de vídeo através da internet, terá a expectativa de chegar a 2020 com 150 a 180 milhões de clientes.

LUCRO. A Netflix já tem 19 milhões de subscritores que veem, por exemplo, “Strange Things”

LUCRO. A Netflix já tem 19 milhões de subscritores que veem, por exemplo, “Strange Things”

d.r.

A encomenda e compra de “originais” – séries acima de tudo -, vai manter-se a alto ritmo, reforçam os responsáveis da companhia, tendo por objetivo principal alcançar a médio prazo 50% de conteúdos exclusivos do catálogo que disponibilizam aos clientes. No primeiro trimestre deste ano preveem lançar 42 novos títulos originais e investir perto de 5.600 mil milhões de euros na produção de “originais” ao longo do ano. Em 2016, e neste capitulo, o investimento fixou-se em cerca de 930 milhões.

A MARCA MAIS INDISPENSÁVEL

Apesar de não ter alcançado “free cash flow” positivo desde a fundação há 20 anos enquanto vídeo clube, a empresa californiana prossegue como protagonista na rápida mudança de hábitos de consumo de conteúdos de vídeo. De tal forma que no seu primeiro e mais relevante mercado, os Estados Unidos, a maioria dos telespectadores a consideram atualmente a marca de televisão mais indispensável entre todas e sobre as quais manifestam maior relutância quanto a vir a desistir de assinar. Este capital de crédito dos consumidores sobre a marca emerge entre as conclusões da mais recente atualização do estudo de mercado “Branding of TV”, realizado pela “Hub Entertainment Research”. Quando inquiridos sobre quais as fontes de televisão que manteriam se apenas pudessem escolher três, 36% do total responderam Netflix, quase o dobro dos que indicaram o canal ABC (20%) ou CBS (18%). Segmentando e no escalão etário dos 16-24 anos, a Netflix é considerada “ainda mais indispensável” com 56% a incluírem-na nas três fontes televisivas a assegurar. A ABC surge com 19%, neste “target”.