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Teatro Oficina traz assombrações e festas profanas para invasão comunitária

D.R.

Em 2017 assinalam-se 150 anos do nascimento de Raúl Brandão e o autor será protagonista em Guimarães na programação do Teatro Oficina

Transformar o teatro numa praça pública, aberta a todos, para fomentar a reflexão e o envolvimento da comunidade é a linha orientadora da programação, em forma de invasão comunitária, do Teatro Oficina para 2017. A preocupação com a acessibilidade cultural, bem como a tentativa de recuperar “assombrações” e as festas profanas da cidade são outras das diretrizes que pautam a oferta da companhia teatral vimaranense, tal como explica ao Expresso o diretor artístico João Pedro Vaz. Após 150 anos do seu nascimento, Raúl Brandão será protagonista nesta cartografia do teatro ou “invasão comunitária”, como alerta o responsável.

“O teatro não é nem para jornalistas nem para burguesas serigaitas. É para toda a gente”, a frase é de Raúl Brandão e serve de mote a mais uma programação do Teatro Oficina. Ainda assim, quisemos saber um pouco mais sobre os conteúdos preparados para este ano, com João Pedro Vaz a assumir-se como novo diretor artístico, depois de sete anos como timoneiro cultural das “Comédias do Minho”.

A “Festa de Teatro Raúl Brandão”, entre 8 e 12 de março, é um dos elementos programáticos de maior destaque. A iniciativa serve para homenagear uma das maiores figuras literárias do início do séc. XX em Portugal, após 150 anos do seu nascimento (12 de março de 1867). O Centro Cultural Vila Flor (CCVF), a Sociedade Martins Sarmento e o Largo de Donães vão ser palco de apresentação para todas as obras teatrais do autor e, a 12 de março, no CCVF, pelas 21h45, realiza-se uma sessão de cinema dedicada ao autor de “Os Pescadores”.

Esta “Festa” agrega 13 grupos amadores de teatro do concelho, finalistas de Teatro da Universidade do Minho e alunos das oficinas dramatúrgicas da companhia. “Importa-me lançar desafios aos grupos de teatro amadores. Nós não vamos ser organizadores de eventos. A companhia de teatro é um local de pensamento, de evolução e de formação para todos os praticantes”, frisa o programador de 42 anos, com o objetivo de devolver o teatro à comunidade.

“Há um sentido de invasão comunitária da própria companhia. Colocá-la como um lugar de onde se vê o território e onde o território se expressa. Há aqui algo de originário e a tentativa de tornar isto numa festa profana”, assevera João Pedro Vaz. “Queremos projetos que tenham a ver com as assombrações da cidade”, acrescenta relativamente a um programa que espelha o “capital simbólico” do território.

Gangue criativo andará à solta em Guimarães

“Não tenho medo da invasão. Tenho medo é do silêncio e da solidão, de ficar recolhido a um canto a achar coisas que só eu estou a ver. Acho que o papel dos programadores e dos diretores artísticos tem de ir no sentido de ter uma visão panorâmica do território onde trabalham, perceber as dinâmicas e realidades, para depois interagir com elas e provocá-las”, considera o diretor artístico do Teatro Oficina.

A esta “invasão” junta-se o “Gangue de Guimarães”, um encontro-residência ou, por outras palavras, uma cartografia dos intérpretes, criativos, criadores ou dramaturgos da cidade, experientes ou emergentes e espalhados pelo país ou pelo mundo. O “gangue” estará espalhado, entre 29 de maio e 10 de junho, pelo Centro de Criação de Candoso, pelo CCVF e passará também pela Casa da Memória, numa iniciativa integrada nos “Festivais Gil Vicente”.

Nos dias 10 e 11 de junho, pelas 22h, há um “Álbum de Família” para ver, uma criação em duas partes, interpretada pelos alunos da Oficina do Teatro Oficina, a partir do espólio de fotografias d’“A Muralha – Associação de Guimarães para a Defesa do Patrimonio” e que mostra a história fotográfica da representação das famílias da cidade-berço. O espetáculo, concebido por Isabel Costa e Tânia Dinis, alia o teatro à dança e será apresentado no pátio da Casa da Memória. “Prefiro transformar a cultura numa praça, num sítio onde as pessoas fiquem o tempo que quiserem e se projetem para outros universos”, explica João Pedro Vaz.

O mês de outubro será dedicado a uma mostra de amadores de teatro no CCVF e assume-se como uma plataforma de encontro, trabalho e conhecimento para a família teatral de Guimarães.

Também durante o mesmo mês, nos dias 28 e 29, chega à Plataforma das Artes e da Criatividade o “Auto das Máscaras”, a partir de uma coleção de máscaras do artista plástico José de Guimarães. “O Teatro Oficina convida os bravos rapazes de Guimarães e o coro Outra Voz para representar um novo auto que vale por todos os rituais de passagem, invadindo um museu com o mundo lá dentro”, pode ler-se na sinopse.