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Apple vai começar a distribuir séries originais de TV até ao final do ano

INICIATIVAS. Jimmy Iovine no anúncio público da Apple Music em junho de 2015

d.r.

Com os resultados das vendas de aparelhos a darem sinais claros de esmorecimento e com o negócio a arrefecer, e a começar a “bater no teto”, a Apple procura diversificar e encontrar novas direções para gerar outras receitas e capitalizar em torno do seu ecossistema tecnológico. A companhia está, por isso, bem mais perto de entrar no negócio das séries televisivas e dos filmes originais, adianta o “Wall Street Journal”, para distribuir através da Apple Music, o serviço de “streaming” onde disponibiliza o catálogo de música, por subscrição, desde o verão de 2015

Luís Proença

Enquanto as vendas de iPhones e iPads vêm por aí abaixo, as receitas com as subscrições do serviço de música seguem em alta, em sentido positivo. No final do mês passado, a Apple Music anunciou deter mais de 20 milhões de subscritores - a maioria dos quais a pagar uma mensalidade de 9,99 dólares, e com um crescimento registado acima dos 20% no terceiro trimestre de 2016. Grosso modo, e se todos pagassem os 9,99 dólares, a Apple estaria a arrecadar uma receita mensal de quase 200 milhões. A concorrência, neste território é forte. O maior concorrente - e líder -, o Spotify, anunciou ter 40 milhões de subscritores pagantes a nível global (números de setembro do ano passado).

Esta intenção dos executivos da Apple não tem nem um, nem dois dias. Há meses largos que surgem breves notícias desse namoro com a indústria de Hollywood. Ao que o “Wall Street Journal” (WSJ) sabe, haverá uma estratégia montada pelos senhores da Apple que passa por encomendar a produção de programas, séries de TV e filmes originais para rentabilizar na Apple Music com conta peso e medida - e não entrar “à campeã” no mercado dos serviços globais de OTT (“Over The Top”) TV, com mega-investimentos nesta frente, onde a Netflix leva a dianteira, seguida pela Amazon Prime Video.

A Apple Music já disponibiliza algum conteúdo vídeo, designadamente um conjunto limitado de programas televisivos, ao estilo documentário, dedicados a músicos famosos. O caminho a seguir tem outra ambição nos géneros e nos quantitativos. Os produtores que mantêm conversas ao longo destes meses com os executivos da empresa de alta tecnologia assinalam que para além dos programas de televisão guionados (“scripted tv series”), também têm em mente vir a encomendar a produção de títulos de cinema originais, apesar deste ser o projeto que está menos adiantado. As séries e programas “scripted” podem vir a ver “a luz do dia” ainda até ao final deste ano. O processo segue a “velocidade de cruzeiro”. Há já contactos em curso com executivos de marketing experimentados que trabalham nos estúdios de Hollywood e nas cadeias de televisão no sentido de virem a ser contratados para trabalhar nesta nova área de negócio que a Apple tem em desenvolvimento.

d.r.

A gigante tecnológica está mais focada, para princípio de conversa, em séries originais mais específicas, ao jeito de “Stranger Things”, da Netflix, ou “Westworld”, da HBO, aponta o WSJ. E como dá a saber que tenciona vir a investir numa mão cheia de séries selecionadas, e não em abrir e multiplicar linhas de produção, é de depreender que não estejam a elevar a parada concorrencial na oferta dos originais para os patamares mais altos com investimentos anuais na casa das centenas ou milhares de milhões de euros que seriam necessários para fazer frente à Netflix ou à Amazon Prime Video e a tantos outros canais premium de subscrição.

Com este passo da integração de conteúdos vídeos originais e exclusivos no catálogo da Apple Music, mais facilmente se antecipará uma batalha concorrencial com o Spotify, dado que ambos os serviços de música entregam hoje um catálogo de dezenas de milhões de canções muitíssimo semelhante e a oferta de ficção original em vídeo trará um elemento distintivo à incumbente Apple Music.

A passagem da gigante Apple para o universo dos media coincide com um arrefecimento acentuado no retorno comercial gerado pelas vendas do iPhone, o produto mais popular e que fez com que a companhia alcançasse o título de mais rentável do mundo. Pela primeira vez em sete anos, a Apple não conseguiu atingir os objetivos de rentabilidade a que se propôs internamente, devido ao abrandamento das receitas expectáveis com a venda do iPhone 6S, sobretudo face à crescente concorrência no mercado dos smartphones, com os produtores chineses a ganharem mais fôlego global.