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Cultura

Aos 85 anos o Rivoli está cada vez mais novo

A peça a Montanha irá ocupar um dos espaços da programação do Rivoli

Rui Carlos Mateus

Teatro propõe este sábado 15 horas consecutivas de festa com múltiplas atividades e várias estreias absolutas de criadores locais e nacionais

O Teatro Municipal Rivoli celebra este sábado 85 anos de vida. São mais de quatro décadas de atividade, feitas de muitos momentos luminosos e outros de grande escuridão. Agora é outro o tempo. O Rivoli está renovado, entrou no circuito indispensável dos portuenses interessados na cultura convencional, mas também nas propostas culturais que ousam arriscar, ousam inovar, ousam dar passos em direção ao inesperado. Percebeu-se que há lugar para todos e a programação do 85.º aniversário vai refletir essa realidade.

Serão quinze horas ininterruptas de atividades, no essencial dinamizadas por artistas e criadores da região do Porto. No total serão sete espetáculos, quatro deles para um público infantil, quatro concertos, duas instalações, uma exposição e uma festa para fechar a noite, no Passos Manuel.

A música terá uma presença de relevo numa festa em que participam Sonoscopia, Drumming Grupo de Percussão, Joana Gama com Luís Fernandes e Ricardo Jacinto, para lá de um concerto proposto pela Matéria Prima que junta Tiago pereira com o Grupo de Percussão de Velharias e os Sensible Soccers.

Na área da dança há um novo espetáculo do coreógrafo Marco da Silva Ferreira, apresentado no Grande Auditório em estreia mundial. Durante todo o dia haverá outras apresentações a cargo de Elisabeth Lambeck e por Joclécio Azevedo. No teatro, Nuno Preto, um dos componentes do Teatro da Palmilha Dentada, apresenta um novo trabalho destinado a todos os públicos.

É com dança e num programa aberto a toda a família que arranca esta programação especial. Entre as 11h e as 13h, Elisabeth Lambeck estreia “Distraído”. Nuno Preto propõe a peça de teatro “Fomos Ficando”. “Das gavetas nascem sons”, é o programa de Sonoscopia, uma associação de criação, produção e promoção de projetos artísticos e educativos. O essencial da sua atividade centra-se mas áreas da música improvisada e eletroacústica, na exploração e investigação sonora e no cruzamento interdisiciplinar com a literatura, a dança, o teatro e as artes visuais. Marta Bernardes responsabiliza-se por uma iniciativa na área da literatura intitulada “Estórias do Pó”.

Valter Hugo Mãe no WC

À tarde, entre as 15h e as 17h, regressa a dança, com Joclécio Azevedo, que estreia “Ensaio de Orquestra”. António Júlio estreia a peça de teatro “Festa para Um”. O Drumming Grupo de Percussão estará no sub-palco do Rivoli, enquanto Valter Hugo Mãe avança com uma proposta invulgar ao propor “Intimidade” no WC dos homens. Aí receberá os seus leitores, rodeado de alguns objetos pessoais.

A partir das 18h30, Joana Gama, Luís Fernandes & Ricardo Jacinto juntam-se para celebrar os 150 anos do nascimento de Erik Satie e, pelo caminho, aproveitam para chamar à colação John Cage. A partir do conceito de “Harmonies”, título de um conjunto de estudos harmónicos concebidos por Satie, constroem um espetáculo onde aparecem fragmentos da música do compositor.

À noite, às 21h30, Marco da Silva ferreira estreia “Brother”, uma coreografia para seis intérpretes com a qual estabelece uma relação com um anterior trabalho “Hu (r)mano”. À mesma hora, e em parceria com Matéria Prima, Tiago pereira, o Grupo de Percussão de Valhelhas & Sensible Soccers fazem com que o teatro seja invadido pela percussão. A seguir a festa passa para o Passos Manuel, onde prosseguirá pela noite dentro.

Antes, porém, destaque para uma importante iniciativa da responsabilidade do designer Nuno Coelho, professor na Universidade de Coimbra, que resolveu vasculhar os arquivos do Rivoli. Daí nasceu “5º Caderno – Ensaio sobre os arquivos do Rivoli”, um projeto levantado a partir dos vestígios físicos da atividade do teatro. A inclusão de “5º Caderno” no título não é um acaso. Em tempos foram editados os Cadernos do Rivoli. Saíram quatro números. Um quinto ficou concluído, mas, por razões várias, nunca viu a luz do dia. Nuno Coelho descobriu-o e fez questão de o integrar neste projeto.