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Vamos aos saldos? Há 300 mil livros ao preço da chuva abrigados no Pavilhão Rosa Mota

D.R.

No “Outlet do Livro”, a partir desta quinta-feira no Porto, é possível encontrar raridades a partir de um euro

André Manuel Correia

Janeiro é, para muitos, sinónimo de ir aos saldos e mergulhar na azáfama da caça a promoções imperdíveis. A partir desta quinta-feira, no Porto, também os amantes de literatura se podem deixar contagiar pela febre dos descontos que invade o Pavilhão Rosa Mota. Contudo, não é necessário correr como um atleta olímpico para agarrar aquela obra que procura há tanto tempo e não consegue encontrar numa livraria comum. Vá com tempo, porque há mais de 300 mil livros, de 150 editoras nacionais e estrangeiras que aproveitam para fazer um escoamento de “stocks”. Tem um euro? Então não perca o “Outlet do Livro”, onde durante um mês há muito para ler e folhear.

Até 19 de fevereiro, das 10h às 20h, este “outlet” literário leva ao emblemático edifício da Invicta livros de diversas áreas editoriais. À espera de leitores ávidos e curiosos, existem obras para todos os gostos e oriundas de Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra ou Itália.

“Aquilo que caracteriza o evento é a disponibilização ao público de fundos editoriais de editoras que, entretanto fecharam. Muita gente, como colecionadores, procura livros raros e, muitas vezes, consegue encontrá-los aqui”, começa por explicar o diretor da Calendário de Letras, Francisco Madruga, responsável pela organização do evento.

A oferta é eclética. Desde o romance ao ensaio, desde a poesia ao lirismo da gastronomia e com incursões pela literatura de viagens, história, saúde, desporto ou literatura infanto-juvenil.

A entrada é gratuita e o custo médio de cada exemplar ronda os cinco euros. No entanto, é possível, com apenas um euro, levar para casa aquele livro que o “agarrou” desde a primeira página. Se esta é uma boa oportunidade para devoradores de literatura, não será igualmente menos apetecível para quem faz das raridades um negócio.

“Muitos dos primeiros clientes a visitar o evento são alfarrabistas. Vêm à procura de obras que sabem ser importantes e compram aqui a dois ou três euros, que depois podem incluir nos seus boletins a 25 ou 30 euros nos seus boletins. Normalmente, são os primeiros a ‘picar’ o ponto”, conta o diretor da Calendário de Letras.

“Quem quer comprar novidades não vem aqui”, avisa Francisco Madruga, uma vez que são livros descatalogados há mais de 18 meses e com preço de venda livre. “É uma ótima oportunidade para escoar stocks”, frisa o organizador.

No ano do centenário do nascimento de Óscar Lopes (falecido a 22 de março de 2013), o linguista, historiador literário e antigo professor será lembrado através de uma conferência sobre a vida e obra deste símbolo de resistência ao Estado Novo e da luta pela defesa da liberdade.

“Foi vice-reitor da Universidade do Porto, um grande intelectual e ainda não tinha entrado no leque dos homenageados”, explica Francisco Madruga. “Esteve impedido de exercer a atividade [como professor] devido à sua posição política face ao antigo regime e foi resgatado de casa pelos alunos da Faculdade de Letras após o 25 de abril, para o levarem novamente a lecionar na universidade”, acrescenta o responsável.

Sobre livros, ficamos conversados

A programação paralela do certame contempla, este sábado, 21 de janeiro, pelas 15h30, uma entrevista a Ernesto Areias, conduzida pelo escritor Vítor Senda, sobre a pesquisa que serviu de base para o romance “Demónios por Serafad” e que tem como tema central o período negro Inquisição.

No domingo (22), pela mesma hora, decorre uma palestra e sessão de perguntas com Gracinda Sousa, autora do livro infantil “Vozes da Floresta”, onde se tenta escutar o meio ambiente e a natureza.

A 28 de janeiro, às 16h, é feita a apresentação da obra “História da Associação Académica de Moçambique (1964-1975)”, na sala VIP do Pavilhão Rosa Mota, e conta com a presença dos autores Carlos Lopes Pereira e Luís Pereira. O livro será apresentado por Silvestre Lacerda, diretor-geral da DGLAB. No mesmo dia, às 17h30, há uma entrevista com Vitorino Neves sobre o romance “Breves Encontros”.

A 5 de fevereiro, pelas 16h, a diretora da editora “Mosaico de Palavras”, leva os seus autores até ao “Outlet” para momentos dedicados à poesia, à prosa e com música de José Silva a ecoar no pavilhão.

Em cada uma das 23 edições já realizadas no Porto, passaram habitualmente entre 20 e a 25 mil pessoas pelo “Outlet do Livro”. A expectativa para este ano é semelhante, finaliza Francisco Madruga.