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Vão voltar as tardes e noites de cinema no Batalha

Uma fotografia de arquivo do Cinema Batalha, em 2004

Rui Duarte Silva

Câmara Municipal do Porto aprova contrato de arrendamento que implica o pagamento de três milhões de euros ao fim de 25 anos

Estava degradado e votado ao esquecimento, mas vai regressar à vida. A Câmara Municipal do Porto (CMP) aprovou hoje por unanimidade, em reunião do executivo, o contrato de arrendamento para o Cinema Batalha. O espaço passa a ser gerido pela autarquia durante os próximos 25 anos, num contrato – passível de ser renovado – que representa o pagamento total de três milhões de euros.

Aquela verba resulta do valor do arrendamento mensal de €10 mil a serem pagos à família detentora da sala de espetáculos, desativada desde o verão de 2000 e com uma notória degradação exterior e interior. A reabilitação do edifício implicará um investimento por parte da autarquia, mas Rui Moreira considera “irresponsável” apontar valores nesta fase.

O presidente da CMP reconhece que “não foi um processo fácil, mas frisa que o valor é inferior à avaliação realizada para efeitos de arrendamento. “Fizemos o negócio possível”, assegura o autarca.

O vereador da CDU Pedro Carvalho considera “essencial” a revitalização do espaço, mas questionou se a compra do edifício não seria uma melhor decisão. “Aquilo que eu penso ser a melhor opção seria a aquisição do edifício por parte do município. Li nos jornais que isso foi tentado, mas que terá havido alguma resistência por parte da família. E que é legítima. Mas, realmente, não sei se essa não é uma opção pela qual deveríamos lutar”, manifestou o representante eleito pela CDU, que procurou saber também quais serão os custos nas obras de reabilitação do imóvel.

Em resposta, Rui Moreira explicou que os herdeiros do Cinema Batalha não estavam interessados em vender o bem patrimonial. “Nós não podemos obrigar e a família não pretende alienar”, afirmou o presidente da câmara.

“Quanto ao custo da obra, seria irresponsável da minha parte tecer, neste momento, considerações sobre essa matéria. Convidamos o arquiteto Alexandre Alves Costa para nos apoiar e sabemos perfeitamente o que lá pretendemos fazer”, asseverou Moreira. “O contrato de 25 anos, que é renovável, dá-nos muita liberdade. Permite-nos proceder ao investimento e à amortização do investimento que vamos fazer. É um prazo perfeitamente tranquilo”, acrescentou o presidente da Câmara Municipal do Porto.

Trazer o cinema para a Baixa: um ciclo que se fecha

Na opinião de Rui Moreira, a recuperação do Batalha “fecha o ciclo de fazer voltar o cinema à Baixa, que até agora sobrecarregava imenso o Rivoli, nomeadamente quando lá decorrem determinados festivais”, como o Fantasporto ou o Porto/Post/Doc. “O importante é voltarmos a ter cinema na cidade, algo que em 2013, quando cá chegámos, não havia a não ser no ‘Dolce Vitta’, nas Antas. E hoje já há. Temos uma política e este equipamento é crucial”, vinca o autarca.

“Era inaceitável que aquele edifício continuasse naquele estado de vetustez”, afirmou Rui Moreira, para quem ver o Batalha entregue ao esquecimento e à degradação “era uma ferida na cidade que ninguém entendia”.

O presidente da câmara do Porto garantiu igualmente a existência de conversas com o Ministério da Cultura com vista a uma articulação entre o futuro Cinema Batalha e a Cinemateca Portuguesa.

O vereador Ricardo Almeida, eleito pelo PSD, saudou a opção autárquica que, lembrou, constava também no programa eleitoral com que os sociais-democratas se apresentaram nas autárquicas de 2013. “É num espaço emblemático, mas também numa zona que precisa de âncoras. Já tem o Teatro Nacional São João, outros espaços estão a ser requalificados na zona, e estou convencido que poderemos trabalhar a cidade e criar novos polos de atração, não só turística, mas para a fruição da população do Porto”, acredita o vereador.

O vereador socialista Manuel Correia Fernandes aproveitou a oportunidade para ler um texto, representativo da posição oficial dos eleitos do PS na CMP relativamente a esta matéria. “A importância do Cinema Batalha não tem discussão, mesmo que não tivesse sido classificado pelo Ministério da Cultura como monumento de interesse público”, disse o vereador com o pelouro do Urbanismo.

“O Cinema Batalha é um dos mais relevantes exemplares arquitetónicos do modernismo expressionista, que articula de modo raro e genial um conjunto de espaços muito significativos do tecido urbano da cidade”, frisou ainda Correia Fernandes.

Ainda na reunião desta terça-feira foi anunciado que a Câmara Municipal do Porto prevê investir, este ano, 17 milhões de euros na reabilitação de seis bairros. Bom Sucesso, Falcão, Monte da Bela, Cerco, Bom Pastor e Pereiró. O anúncio foi feito pelo vereador Manuel Pizarro. O responsável pelo pelouro da Habitação deu igualmente conta de que, nos últimos três anos, o município efetuou um investimento a rondar os 35 milhões de euros em obras de requalificação.