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Curtas-metragens portuguesas em destaque na Berlinale

"Coup de Grâce" da realizadora Salomé Lamas

D.R.

Cinema nacional em destaque em Berlim através de quatro curtas-metragens de realizadores nacionais a concurso na Berlinale, um dos mais reputados festivais internacionais de cinema. Portugal é o segundo país mais representado no evento

Portugal é o segundo país mais representado na seleção de filmes a concurso na secção de curtas-metragens da 67.ª edição da Berlinale, reputado festival internacional de cinema que se realiza na capital alemã entre 9 e 19 de fevereiro. Entre os 19 países representados, Portugal só é superado pela Alemanha, que apresenta seis trabalhos, incluindo coproduções.

Salomé Lamas, laureada em dezembro com o principal galardão no festival Porto/Post/Doc com “Eldorado XXI”, terá agora o filme “Coup de Grâce” a concorrer pelo prémio “Urso de Ouro”, no valor de 20 mil euros. Juntamente com o trabalho da cineasta, segue também a curta-metragem “Altas Cidades de Ossadas”, de João Salaviza, realizador distinguido em 2012 no referido evento, bem como “Cidade Pequena”, de Diogo Costa Amarante, e “Os Humores Artificiais”, da autoria do luso-americano Gabriel Abrantes.

“Coup de grâce”, de Salomé Lamas, acompanha Leonor durante uma viagem até às origens, num dia em que o pai já não a esperava. Num único dia, vivem uma realidade alucinada, inquietante, mas num registo de aparente normalidade. A realizadora regressa pela terceira vez à Berlinale depois de ter apresentado “Terra de Ninguém” em 2013 e “Eldorado XXI” em 2015, ambas as vezes na secção “Forum”.

João Salaviza também retorna à capital alemã com “Altas cidades de ossadas”, curta-metragem que narra a história de Karlon, nascido na Pedreira dos Húngaros, pioneiro do “rap crioulo” e que fugiu do bairro onde foi realojado. “Altas Cidades de Ossadas” é um “tateio inquisitivo e imaginativo às suas memórias, ao cerco institucional, e às histórias submersas de um tempo sombrio”, lê-se na sinopse do filme.

Da metrópole dos ossos passamos para a “Cidade Pequena” onde, através do olhar do realizador Diogo Costa Amarante, acompanhamos Frederico, um miúdo que aprende na escola que as pessoas têm cabeça, tronco e membros, e que, se o coração pára, morrem. Em outubro, a mãe apercebe-se que Francisco está a crescer e que as estações correm indiferentes ao ritmo lento de uma pequena cidade.

Gabriel Abrantes leva até à “Berlinale” os “Os Humores Artificiais”, um filme rodado no parque indígena de Xingu, no Brasil, e que faz convergir o universo hollywoodesco com o género documental.

O júri desta competição é composto por Christian Jankowski, artista e professor alemão, Kimberly Drew, curadora, escritora e gestora de redes sociais do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, e o chileno Carlos Núñez, programador e produtor de cinema.