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2016: um ano de sala cheia

CAMPEÃO “Procurando Dory”, o filme mais visto do ano passado nas salas de cinema

d.r.

O ritual começa pela escolha do filme. Por vezes, e tantas vezes, também da companhia. E qual é a sala? A que horas? E ainda há bilhetes para essa sessão? Vencidas as dúvidas e tomadas as decisões, com mais ou menos frenesim, chega a momento da luz começar a baixar até ficar escuro na sala - e o grande ecrã impõe-se-nos. A história em movimento começa a ser projetada como doutra forma não se pode ver, nem ouvir – os diálogos, a música, os efeitos sonoros tão vívidos e intensos que nos assaltam, enfiados no conforto de um cadeirão à medida do momento

Luís Proença

Apesar da acelerada multiplicação da oferta de entretenimento em vídeo e das plataformas simplificadoras para o alcançar, a experiência do cinema na sala de cinema persiste em seguir de vento em popa. 2016 findou e num relance – feitas as contas, voltam a bater-se recordes de bilheteira. No chamado mercado doméstico da América do Norte (Estados Unidos e Canadá), o maior mercado de consumo de cinema entre os países ocidentais, 2016 fecha as contas do “box office” com o melhor resultado anual de sempre: 10,83 mil milhões de euros. É sempre a somar e a crescer.

Em 2015, também ano de recorde de receitas de bilheteira, o total tinha-se ficado pelos 10,54 mil milhões. De acordo com a contabilidade da ComScore, uma companhia norte-americana de medição e análise global de media, os estúdios Disney conseguem colocar seis entre os dez filmes mais vistos nas salas. A animada sequela de Nemo, “Procurando Dory”, arrebata a medalha de ouro para o filme mais visto, com uma receita um pouco acima dos 462 milhões de euros.

Mesmo tendo estreado apenas a meio do mês passado, “Rogue One – Uma História de Star Wars” alcança o segundo lugar. A Disney faz o pleno no pódio com a medalha de bronze no encaixe de receitas em 2016 a ficar para “Capitão América – Guerra Civil”, outro “blockbuster” de ação e aventura com a marca Marvel, que gerou vendas na casa dos 387 milhões.

CHINA DESACELERA

Fora de portas, na China - o maior e mais importante novo mercado para a o “big business” dos estúdios de Hollywood -, 2016 faz soar um alarme de alerta. A venda de ingressos de cinema cresceu frágeis 2,6% contra os 49% que se tinham verificado no ano anterior. A ComScore assinala resultados financeiros praticamente iguais no “box office” chinês quando comparados os últimos dois anos. Paul Dergarabedian, analista sénior da companhia, citado pelo Financial Times refere que a China “é o segundo maior mercado mundial de cinema e um dia vai superar a América do Norte nas bilheteiras.” Hollywood tem conseguido receitas extraordinárias nos últimos quatro anos, desde que a China abriu a quota para a exibição de filmes estrangeiros nas salas. Em 2016, assinala Paul Dergarabedian, “alguns filmes não teriam apresentado bons resultados senão tivessem sido lançados na China” e aponta dois exemplos que fracassaram na América do Norte, mas foram bem-sucedidos na China: “O Exterminador: Genesys” e “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos”.

Em Portugal, “Procurando Dory” (423 mil bilhetes vendidos) também chegou ao pódio dos filmes mais vistos, mas ficou-se pela terceira posição. O vencedor é igualmente uma animação: “A Vida Secreta dos Nossos Bichos” (603 mil), uma produção da Universal, seguido por “Esquadrão Suicida” (449 mil). De acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) – e contabilizadas as receitas de bilheteira até ao dia 28 do mês passado foram vendidos 14,6 milhões de ingressos em 2016 para um total de 75,1 milhões de euros de receita, um leve crescimento face a 2015, os dois melhores anos desde o início da década.

Em Espanha, a barreira dos cem milhões de bilhetes vendidos foi derrubada, o que já não acontecia desde 2009. As receitas cresceram 5% face a 2015 para os 600,8 milhões de euros, segundo a ComScore. O número de espectadores em sala tem vindo a recuperar desde que os preços dos bilhetes dispararam em setembro de 2012, devido à imposição governamental de 21% de imposto sobre o valor dos ingressos. Desde então que as empresas espanholas de distribuição de cinema têm procurado contrariar a quebra acentuada. Numa ação de desconto sobre o preço dos bilhetes – as “Fiestas del Cine”, e para chamar os espanhóis de novo às salas, os distribuidores têm obtidos bons resultados.

No ano passado, 28 de outubro foi o dia em mais espanhóis foram ao cinema, coincidindo exatamente com uma das “Fiestas del Cine”. No top 3 encontramos “Procurando Dory” em terceiro lugar, “A Vida Secreta dos Nossos Bichos” na segunda posição e “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” em primeiro.