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Marcelo foi à Cornucópia. “Vale a pena ver se é possível um projeto que não seja o do encerramento”

MÁRIO CRUZ/LUSA

O Presidente da República alterou a agenda desta tarde de sábado e até fez com o ministro da Cultura não fosse a Castelo Branco para ir também ao teatro discutir possíveis soluções sobre o tema. Marcelo sugeriu um regime de excepção

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa foi, este sábado à tarde, ao Teatro da Cornucópia, numa tentativa de evitar que o espaço e a companhia encerrem definitivamente tal como anunciado esta semana pelo seu fundador e diretor, Luís Miguel Cintra.

A visita não estava prevista e Marcelo chegou a conduzir sozinho para ir até ao local, onde chegou por volta das 15h00. Esta sua iniciativa levou o ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, a cancelar uma visita a Castelo Branco e a dirigir-se também ao teatro, situado no Bairro Alto, em Lisboa.

Quando o ministro chegou, perto das 15h30, Marcelo Rebelo de Sousa já estava à conversa com Luís Miguel Cintra e com a cenógrafa e co-diretora Cristina Reis, os três rodeados de jornalistas, sentados no palco, e com outros atores à sua volta. "Senhor ministro, então já não foi a Castelo Branco", saudou o Presidente da República.

"Não, senhor, anulei a visita para vir aqui", respondeu Luís Castro Mendes. "Então sente aí, que estávamos aqui a ouvir, e eles estavam a narrar", retorquiu Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando mais tarde que "foi boa ideia" o ministro ter cancelado a ida a Castelo Branco, "porque isto permite aqui, nesta nesga de esperança, ter aqui a sua presença, que é importante".

O Presidente da República serviu, assim, de mediador entre os dois elementos do teatro e o ministro, e, avança o DN, até sugeriu a criação de um estatuto especial para a Cornucópia o que permitiria que esta companhia de teatro continuasse a sua atividade sem concorrer aos apoios financeiros da Direção-Geral das Artes.

A conversa, foi contudo, inconclusiva.

Luís Miguel Cintra, que reiterou que o teatro não tem condições financeiras para continuar, disse que "a situação continuaria exatamente na mesma de acordo com aquilo que o senhor ministro está a dizer que está disposto a fazer", acrescentando: "Percebo que seja difícil tomar uma decisão para fazer uma exceção. Perante isso eu não discuto. Eu verifico e digo: assim, a gente acaba".

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que se falasse "perante o novo cenário, perante o cenário que se admite, que é, em vez de acabar, continuar, se houver condições para continuar".

"Então aí o Ministério continua a falar convosco, sempre no quadro de que são uma exceção, porque são um caso diferente dos outros casos, para ver se é possível esse cenário", sugeriu ainda Marcelo, defendendo que "vale a pena falar mais um bocadinho, para ver se é possível ou não um projeto que não seja o do encerramento".

O ministro da Cultura afirmou, então, que "as conversações nunca foram encerradas, as conversações estão em curso, e continuam em curso".

No final da conversa, que durou 20 minutos Marcelo mostrou-se confiante: "Hoje, dia 17 de dezembro de 2016, aquilo que eu ouvi dizer foi: nós estamos na disposição de repensar no sentido de continuar. Diz o senhor ministro: pois muito bem, nós estamos a falar, passamos a falar nessa onda. Até agora estávamos a falar na onde de fechar, a partir de agora passamos a falar na onda de não fechar, de fazer, ver se é possível. Eu acho que é isso que importa fazer".

No final do encontro, Luís Miguel Cintra agradeceu as presenças do chefe de Estado e do ministro e pediu-lhes que acreditassem que não está "a fazer chantagem de espécie nenhuma como é costume fazer-se na política", mas simplesmente a constatar as condições reais para a companhia se manter. "E isto não é uma forma de pressão sobre o Ministério", ressalvou.

Já Marcelo Rebelo de Sousa, antes de se levantar, observou: "Algum dia eu teria o sonho de não estar sentado na cadeira e vir a discutir aqui para o palco, é sempre o sonho de todos os espectadores".