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É o fim: Teatro da Cornucópia despede-se de nós

Gonçalo Rosa da Silva

Ao fim de 43 anos a representar os mais importantes autores do teatro ocidental, Luís Miguel Cintra anuncia o fim da sua companhia

Este sábado, quando ao fim da tarde cair o pano sobre o palco do Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, a histórica companhia de teatro dirigida por Luís Miguel Cintra despede-se do seu público. O último espetáculo acontece às 16h, um recital de leituras de textos do poeta francês Guillaume Apollinaire e, simultaneamente, será lançado o segundo volume do livro "Teatro da Cornucópia" e e um DVD, realizado por Joaquim Pinto e Nuno Leonel, que acompanhou o espetáculo "Fim de Citação".

No final de 2015, Luís Miguel Cintra tinha anunciado a sua despedida do palco enquanto ator, dizendo no entanto que continuaria a encenar e a dirigir o Teatro da Cornucópia. Nesta declaração pública, o encenador anunciava os seus problemas de saúde, dizendo pela primeira vez que tinha a doença de Parkinson. Desde então, Luís Miguel Cintra e Cristina Reis, cenógrafa alma da companhia que nos últimos anos tem partilhado a direção artística com o encenador, têm referido a fragilidade das condições de existência do Teatro da Cornucópia. Agora, finalmente, anunciou-se a realização do último espetáculo que encerra a porta do teatro do bairro Alto.

Ao Expresso, Cristina Reis adianta que depois deste espetáculo tudo o que se passará terá só que ver com a gestão do espaço e do riquíssimo espólio da Companhia. Ao longo de 43 anos, o Teatro da Cornucópia realizou 126 criações e formou um grupo de atores que se têm afirmado como alguns dos mais representativos no teatro e no cinema e na televisão. Entre eles, Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Luísa Cruz, Tonan Quito, Sofia Marques, Márcia Breia e Diogo Dória.

Neste volume, que será lançado este sábado, poderemos acompanhar toda a história da produção da companhia a partir de 2002

Desde a sua fundação, em 1973, por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo que a Cornucópia se tornou a marca mais importante do teatro português da segunda metade do século XX. Sem eles, o público não teria tido acesso um imenso reportório que nos deu a ver peças desde Gil Vicente até aos mais importantes autores do século XX.