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Guerra no streaming em Portugal: será que a Netflix vai entrar na batalha de preços da Amazon?

“Marco Polo” é uma das maiores produções da Netflix. A receita para o sucesso parece estar na diferenciação de conteúdos

Phil Bray/Netflix

Gigante das vendas online Amazon entrou esta quarta-feira no mercado televisivo português com o Amazon Prime Video. A concorrência chegou à televisão por subscrição através da internet mas, há um ano a operar em Portugal, a Netflix parece confortável com a chegada da concorrência

Um ano depois da chegada do gigante do streaming Netflix a Portugal, a Amazon decidiu seguir-lhe os passos e alargar a disponibilidade da plataforma Amazon Prime Video a 200 novos mercados. O serviço estava apenas disponível em alguns mercados europeus, com os Estados Unidos a manterem-se como principal foco da empresa, mas, a partir de agora, a audiência é global.

Desde esta quarta-feira, e por 2,99 euros por mês — aplicado aos primeiros seis meses de subscrição após sete dias de teste gratuitos, aos quais se seguirá uma mensalidade de €5,99 —, será possível conhecer algumas das produções originais da Amazon, assim como outros filmes e séries em streaming. O Amazon Prime Video está disponível para todos clientes da Amazon com contas pré-existentes, sem que isso impeça a adesão de novos subscritores.

Num mercado que só agora se tornou concorrencial em Portugal, a Netflix apresenta preços superiores (o plano mais barato tem o custo mensal de €7,99 depois de um mês gratuito). Será que vai baixar os preços para combater a migração de clientes? O gigante norte-americano do streaming, que conta já com 86,7 milhões de clientes, não espera alterar os tarifários nos próximos tempos. Em declarações ao Expresso, a empresa nega qualquer intenção de baixar o preço do seu serviço nem tem, para já, qualquer campanha de resposta em marcha.

Nos próximos tempos, serão muitos — especialmente nas faixas etárias mais jovens — os que vão optar por não subscrever os planos dos operadores de telecomunições, preferindo ver televisão apenas através da internet. O fenómeno dos cord-cutters, para os quais o “New York Times” construiu um guia, está a crescer e ameaça alastrar. O segredo das empresas como a Netflix ou a Amazon para manter os clientes fiéis à marca passa pela diferenciação, conseguida às custas da programação original. Será exatamente aqui que a Netflix está a apostar: em conteúdos exclusivos.

GUERRA SEM FIM À VISTA

O orçamento da Netflix para 2017 — pensado para que a empresa duplique a programação própria, das 1000 para as 2000 horas — ascende aos seis mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) e já há vozes a dizer que este ritmo não é sustentável. Em outubro, a Netflix anunciou receitas trimestrais muito próximas dos 1,9 mil milhões de euros e mostrou um crescimento assinalável no número global de subscritores (45% dos 86,7 milhões de clientes já vivem fora dos EUA). De acordo com a Forbes, a Amazon — que gastou 3,75 mil milhões de dólares em conteúdos de vídeo este ano — espera aumentar o investimento no próximo ano.

Num modelo de negócio completamente diferente do apresentado pelos canais tradicionais, sem publicidade, só o futuro dirá até onde empresas como a Netflix ou a Amazon podem chegar. Dos maiores serviços de streaming, resta-nos esperar pela chegada da HBO e do Hulu.