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O mundo depois do fim

Vaneza Oliveira interpreta Joana, uma rapariga órfã que tenta a sua sorte no Processo

“3%”, a primeira série da Netflix falada em português, introduz-nos numa sociedade pós-apocalíptica em que apenas os mais preparados conseguirão vencer o Processo e chegar ao Maralto. Os que ficarem pelo caminho terão de sobreviver no Continente

O mundo é escuro e sujo. As oportunidades escasseiam e, numa sociedade marcada pela fome e pelo crime, são poucas as opções para a população. No Continente, vive-se um dia de cada vez, com as manhãs e as tardes a correrem como as noites. Devagar. O isolamento é o menor dos problemas, embora a informação vinda do exterior seja escassa ou mesmo existente. Nem todos sobrevivem e só os mais fortes vencerão. A cada dia, uma nova batalha é travada.

É assim que se enfrenta a vida no Continente, com o momento de viragem a surgir aos 20 anos. É a oportunidade de uma vida e não há quem não a queira agarrar. Os jovens são preparados desde a infância para um teste que, se for bem-sucedido, lhes pode oferecer um futuro melhor. A ânsia de passar para o “lado de lá” e deixar a miserável vida do “lado de cá” é grande, mas tudo tem um custo. Há que passar pelo Processo para alcançar o Maralto.A diferença face ao Continente é grande e nas instalações da poderosa organização o cheiro já é diferente. A limpeza e a brancura do grande edifício, situado no topo das falésias que circundam e isolam o Continente, mostra que aquele é um lugar de passagem para algo superior. Todos querem conhecer a criação do casal fundador, mas terão de passar pelas mais duras provas antes de receberem o prémio — a sobrevivência num lugar idílico onde a oportunidade de uma vida perfeita ainda existe. Trata-se de uma sociedade à parte, criada no meio do mar, onde nada faltará à pequena porção da população que conseguir vencer todas as provas. Infelizmente, apenas 3% poderão usufruir de condições de vida dignas. Serão considerados a elite. Os restantes 97% continuarão a lutar diariamente pela vida no Continente.

João Miguel interpreta Ezequiel, o diretor do Processo

João Miguel interpreta Ezequiel, o diretor do Processo

Pedro Saad/Netflix

Para entrar no Processo e continuar em prova, vale tudo. Até roubar a identidade a um amigo por ter sido expulso no último ano, matando-o para ter uma nova chance no concurso. Lá dentro, a competição também não pára e é preciso ter sangue frio para prosseguir. A cada etapa, os fracos são expulsos e apenas os mais audazes passam à fase seguinte. É o tudo por tudo. Não há lugar para a compaixão. A força física não é suficiente e este jogo tem também uma forte componente psicológica. São testados até ao limite através de jogos criados por Ezequiel (João Miguel), diretor do Processo há cinco anos.

Pedro Saad/Netflix

A organização conhece ao pormenor a vida dos participantes e o historial é revisto em entrevista durante o processo de seleção inicial. Joana (Vaneza Oliveira) é órfã e habituou-se a depender apenas dela. Michele (Bianca Comparato) não tem família e foi criada pelo irmão e Fernando (Michel Gomes), preso a uma cadeira de rodas, foi educado com o único objetivo de ser aprovado no Processo. Há ainda um combate interno, com o calculista Rafael (Rodolfo Valente) a medir forças com Marco (Rafael Lozano), que acredita ser um líder nato por pertencer a uma família lendária que passou para o Maralto. Será que, depois de entrarem, os jovens continuam com as mesmas crenças? Que alianças se formarão?

Trata-se de uma seleção natural — ou pelo menos é nisso que acreditam os mais fiéis. Apesar da vontade da maioria, que é capaz de qualquer coisa para chegar ao Maralto, nem todos acreditam no Processo. A Causa, como é chamada a fação que quer destruir a organização a partir de dentro, continua a tentar colocar infiltrados entre os participantes. Tudo é mantido no maior segredo até ao fim e desta vez será mais do que um a tentar levar a cabo a missão. As suas identidades são desconhecidas, mas Ezequiel está atento às movimentações. Já sabe que há traidores no edifício e não descansará enquanto não apanhar os dissidentes.

César Charlone é o grande responsável pela primeira produção brasileira para a Netflix

César Charlone é o grande responsável pela primeira produção brasileira para a Netflix

Pedro Saad/Netflix

Cesar Charlone é o showrunner da série, mas a realização de “3%” — com argumento de Pedro Guilera — conta ainda com Jotaga Crema, Dani Libardi e Daina Giannecchini. O elenco é composto por João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Rafael Lozano, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto e conta com a participação especial de Mel Fronkowiak, Sérgio Mamberti e Zezé Motta. O serviço de televisão por streaming Netflix, onde os oito episódios da primeira temporada estão disponíveis, já garantiu que a história distópica não termina aqui. A novidade foi revelada no último domingo, durante a Comic Con Experience, em São Paulo. O vice-presidente de marketing da empresa na América Latina, Vinny Lozato, garantiu que a primeira série original brasileira da Netflix terá uma segunda temporada, sem revelar qualquer previsão para a estreia ou o número de episódios encomendados. Só os melhores vencerão.