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Cultura

Homenagem a Cesariny no 10.º aniversário da sua morte

Restos mortais do poeta Mário Cesariny foram trasladados, esta quinta-feira, para um jazigo individual, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Homenagem juntou família, amigos, Câmara, Governo e Presidente da República

O poeta e pintor Mário de Cesariny encheu hoje a igreja do cemitério dos Prazeres, em Lisboa, no 10.º aniversário da sua morte, para um tributo que juntou família, amigos e políticos, como o Presidente da República.

Sepultado há dez anos no talhão dos artistas do cemitério, Cesariny está a partir de agora num jazigo à entrada com um seu poema como lápide. Hoje, na cerimónia, outros poemas do poeta foram declamados num sistema de som enquanto se colocavam coroas de flores junto do monumento fúnebre.

A cerimónia de homenagem, além do Presidente, juntou o ministro da Cultura, a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, o presidente da Câmara de Lisboa e deputados, nomeadamente a deputada Teresa Caeiro, sobrinha do poeta. Mas também alunos da Casa Pia (Ensemble), que musicaram o momento e personalidades ligadas à cultura.

E foi um “ato de homenagem civil e cultural”, que a presença de Marcelo Rebelo de Sousa tornou nacional, como disse José Manuel dos Santos, da comissão organizadora do tributo, amigo também do poeta e que por isso recordou momentos com ele passados e a personalidade de Cesariny.

Era distante do que era “oficial, convencional e vazio”, vivia em nome da poesia, da liberdade e do amor, afirmou José Manuel dos Santos, com Teresa Caeiro a recordar depois também momentos passados com o tio.

“A maior lição que aprendi com ele foi o valor da liberdade”, disse a deputada, acrescentando: “só podemos lamentar não o termos tido mais tempo e não termos aprendido ainda mais com o que ele tinha para nos dar”.
Entre música e poemas declamados pelo próprio poeta (de álbuns gravados em 1975 e 2007), falou-se de Lisboa e dos cafés onde escrevia os poemas (ele dizia que nunca tinha escrito um poema em casa, recordou o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina), da irreverência do artista, da “homenagem sentida e merecida”, como diria depois o ministro da Cultura, Castro Mendes.

E encerrou a cerimónia Marcelo Rebelo de Sousa, para quem Cesariny existirá enquanto existir língua portuguesa. “Que a morte tenha trazido Cesariny para o cemitério dos Prazeres traz consigo uma justiça poética, é aliás poeticamente justo que o cemitério se chame dos Prazeres, talvez porque todos os prazeres acabam quando aqui se chega, talvez porque outros prazeres continuem nuns quaisquer Campos Elísios de que nada ou muito pouco sabemos”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

E depois, referindo que o poeta estava antes sepultado junto de outros artistas, “com quem sempre esteve na vida”, lembrou que Cesariny viveu “uma vida obstinadamente não igual, não conforme, diferenciada, distinta”, pelo que faz sentido “que tenha como última morada aquilo que conquistou em vida, um lugar só seu”.
Está agora à esquerda da ala central do cemitério, perto da igreja onde duas faixas verticais (uma fotografia e um poema) o lembram também.

Só talvez o poema que está inscrito na lápide ficasse melhor na encosta dos artistas de onde se pode ver o Tejo: “A vida às portas da vida/ e o azul masculino de um rio/ Amor ardente /de forma distinta”.