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Quanto vale o “baseado numa história verídica”

SELMA. A longa-metragem “Selma: A Marcha da Liberdade” consegue atingir o pleno, com 100%

d.r.

Esta é uma das frases que mais se tem ouvido nos últimos tempos. A estratégia funciona em bilheteira e tem cativado a Academia, mas é preciso perceber quão verdadeira é a afirmação. A “Information is Beautiful” estudou 14 filmes do género, que estiveram em competição nos Óscares desde 2010, e mostra agora as suas conclusões

A expressão “baseado em” remete para a possibilidade de que nem tudo o que se veja num filme seja real, mas são muito os que olham para o género — que tem feito furor nos últimos anos — como se a obra cinematográfica fosse completamente fiel à história. Não é isso que acontece, uma vez que são várias (muitas, diga-se) as vezes em que a realidade é embelezada por razões de ordem criativa. Para imprimir uma maior ou menor velocidade à trama, para simplificar os acontecimentos ou, não raras vezes, para que o filme seja mais apelativo.

Um novo estudo, conduzido pela equipa que cria as bases de dados do site “Information is Beautiful”, mostra como Hollywood é mesmo a fábrica de ilusões que o mundo se habituou a adorar, com algumas exceções. O grupo estudou 14 filmes baseados em histórias verídicas, e que estiveram em competição nos Óscares desde 2010, e os resultados já foram apresentados. Nem tudo o que parece é e os gráficos agora tornados públicos mostram como tudo é (des)construído, passo a passo, minuto a minuto.

“Selma: A Marcha da Liberdade” consegue a pontuação total, com o biopic centrado na luta de Martin Luther King pelos direitos civis a ser considerado 100% fiel à história. É o único. Seguem-se “A Queda de Wall Street” (com 91,4%), “A Ponte dos Espiões” (89,9%), “12 Anos Escravo” (88,1%), “Rush – Duelo de Rivais” (81,9%), “O Caso Spotlight” (81,6%), “Capitão Phillips” (81,4%), “A Rede Social” (76,1%), “O Lobo de Wall Street” (74,6%), “O Discurso do Rei” (73,4%), “Filomena” (69,8%), “O Clube de Dallas” (61,4%) e “Sniper Americano” (56,9%), numa lista que termina de forma surpreendente.

ALAN TURING A história do criptoanalista e da sua conquista não é tão fiel à realidade como pode parecer

ALAN TURING A história do criptoanalista e da sua conquista não é tão fiel à realidade como pode parecer

d.r.

“O Jogo da Imitação”, protagonizado por Benedict Cumberbatch, que interpreta o criptoanalista e herói de guerra Alan Turing, reconhecido por quebrar o até aí indecifrável código da Enigma — a máquina utilizada pelos alemães na 2ª Guerra Mundial — ocupa o último lugar do ranking. Apenas 41,4% da história relatada corresponde à realidade. O filme esteve nomeado para oito Óscares da Academia (Melhor Ator para Benedict Cumberbatch, Melhor Atriz Secundária para Keira Knightley, Melhor Filme, Melhor Realizador para Morten Tyldum, Melhor Edição, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Design de Produção e Melhor Argumento Adaptado). Surpreendentemente, venceu na categoria de Melhor Argumento Adaptado (por Graham Moore), cujo guião é agora contestado.