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Cultura

Olaria negra de Bisalhães declarada Património Imaterial da Unesco

Autarquia de Vila Real diz que o “reconhecimento internacional possibilitará partilhar o conhecimento ancestral dos oleiros de Bisalhães com o mundo”

O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi inscrito esta terça-feira na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da Unesco, anunciou fonte do município.

A decisão foi tomada esta terça-feira, durante a 11.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que está a decorrer em Adis Abeba, capital da Etiópia.

A Câmara de Vila Real avançou com a candidatura do processo de fabrico do barro negro de Bisalhães à lista do património cultural imaterial que necessita de salvaguarda urgente, precisamente por esta ser uma atividade em vias de extinção.

O município disse que se tratou de um "processo complexo que demorou mais de um ano a ser completado".

A fonte referiu que "este reconhecimento internacional possibilitará partilhar o conhecimento ancestral dos oleiros de Bisalhães com o mundo".

A inscrição na lista da Unesco vai ainda "motivar a implementação de um amplo plano de salvaguarda que o município de Vila Real idealizou, que vai desde a formação de oleiros, passando pela certificação do processo e até ao incentivo do surgimento de novas utilizações e designs para este material único".

O principal problema desta atividade é o envelhecimento dos oleiros. Atualmente, são cinco os que fazem desta arte a sua atividade principal e a maioria tem mais de 75 anos.

Este é considerado um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI.
O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.

As peças que nascem pelas mãos destes artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

"O processo é bastante antigo, com características muito peculiares e próprias desta aldeia de Bisalhães e que tem vindo a ser mantido com muito sacrifício por parte dos oleiros atuais", salientou o coordenador técnico da candidatura, João Ribeiro da Silva.

O responsável referiu que esta candidatura pretendeu dar "visibilidade à olaria e preservar a forma de fazer".

Em março de 2015, o processo de confeção do barro negro de Bisalhães foi reconhecido como Património Cultural Nacional.