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12 coisas que ainda não sabia sobre os The Cure

d.r.

São uma das bandas mais estimadas de todos os tempos por indies, góticos e amantes de pop. Ao fim de 40 anos, e no dia de mais um regresso a Portugal (tocam esta noite em Lisboa), Robert Smith e comparsas ainda guardam segredos. Lia Pereira diz-lhe quais

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

1. Que o pai dos The Cure adora música e livros (‘Killing An Arab’, o primeiro single da banda, é inspirado em “O Estrangeiro”, de Camus) não é novidade. Mas o cantor também não torce o nariz a uma das maiores paixões de qualquer inglês que se preze: o futebol. Na escola, o pequeno Robert jogava à bola porque gostava, e também porque a brincadeira lhe permitia integrar-se junto dos colegas. “Faziam troça de mim na escola. A troça é a forma natural de os humanos se defenderem contra a diferença. Nunca me senti parte deste mundo, exceto quando fazia parte da equipa de futebol”, confessou, em 2004, à “Rolling Stone”. O clube de eleição de Robert Smith é o Queens Park Rangers, uma equipa de Londres com outros adeptos famosos (Phil Collins, Pete Doherty ou o cozinheiro Jamie Oliver) e na qual, incrivelmente, não joga qualquer futebolista português.

2.

Na semana em que a seleção portuguesa derrotou a de Inglaterra no Europeu de Futebol de 2004, Robert Smith não estava particularmente triste. Preocupada com o humor do artista, a jornalista alemã que o entrevistou provocou: “Aposto que se pudesse pedir um desejo pedia que a Inglaterra tivesse ganho a Portugal!.” O inglês discorda: “Não, gosto mais de Portugal.” E não tem pena de Beckham e companhia? “Do Beckham? Não, é um idiota!”, ripostou Smith. “Só vê dinheiro à frente e tenta entrar no mundo da mulher, em vez de seguir o seu instinto.”

3.

No último concerto da digressão americana de 1986, os The Cure viram um espectador suicidar-se. Destroçado por um desgosto amoroso, um homem de nome Jonathan Moreland escolheu o recinto de Los Angeles onde os Cure iriam atuar minutos depois para pôr termo à sua vida. A princípio, os outros espectadores julgavam que se tratava de uma brincadeira para entreter o público, mas Moreland estava realmente a espetar uma faca no peito e na barriga, repetidas vezes. Morreu a caminho do hospital.

4.

Robert Smith parece decidido a não deixar descendência. Este planeamento familiar começou a ganhar forma na cabeça do inglês bem cedo: “Quando tinha 10 anos disse à minha mãe que nunca havia de ter filhos”, recorda, em entrevista à “Rolling Stone”. “O meu pai perguntou-me como é que eu podia dizer uma coisa dessas e eu não soube responder. Mas sentia que ia ser assim. Ser pai era a coisa mais egoísta que eu podia fazer.” Noutra entrevista recente, Smith tem outro argumento: diz já ter passado os seus genes às canções que escreveu. Mas há crianças na vida de Robert Smith, casado há quase 30 anos com a namorada da adolescência, Mary.. Robert e Mary têm mais de uma vintena de sobrinhos, que mimam com prendas “em conta”, como viagens à Eurodisney.

5.

É considerado um dos homens mais ricos do mundo da música, mas Robert Smith não é muito dado a esbanjar dinheiro, preferindo os prazeres simples... e económicos. “Não sou uma pessoa muito material. A primeira coisa que comprei quando tive dinheiro foi uma cama. A maior cama que encontrei. Depois comprei um jipe e depois já não havia mais nada que quisesse comprar. Desde que tenha dinheiro para livros e para comer, tudo bem”, disse à “Spin” em 1987, ou seja, no ano em que o álbum “Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me” transformou os Cure em estrelas globais.

6.

Em 1995, os The Cure tocaram no festival Super Bock Super Rock, em Lisboa, com bandas como Young Gods, Jesus and Mary Chain ou Faith No More. Os horários nacionais chocaram os jornalistas ingleses em reportagem no nosso país: “Que haja centenas de pessoas quase a dormir tem mais a ver com o facto de o concerto acabar às 3h30 do que com a música”, escreveu a Q.

7.

Em 1989, o extinto Melody Maker encostou Robert Smith à parede e pediu-lhe que falasse sobre os seus grandes heróis. O homem dos The Cure lembrou-se do elefante Dumbo (“Estranho, espetacular e alucinogénico”), de Mary Poppins, do Homem Aranha, de Betty Boop, de Alice no País das Maravilhas e, sobretudo, de Pinóquio. “Se eu fosse o Pinóquio, o meu nariz tinha cinco quilómetros. Já me tinha deixado de mentiras até começar a dar entrevistas outra vez. É a única altura em que sinto necessidade de mentir. Preciso de tornar as coisas mais interessantes para mim mesmo.”

8.

A maior fobia de Robert Smith são as aranhas. “Aquelas aranhas gordas com patas compridas e fininhas, que parece que vão explodir, deixam-me doente", diz Smith, citado na biografia “Never Enough”. “Numa digressão na América do Sul, acendi a luz da casa de banho no Brasil e vi uma aranha gigante a escapulir-se para o armário. Passei a noite a pensar que ela e as suas amiguinhas vinham ter comigo à cama. Não dormi nada.” Smith também não se sente à vontade em aviões, tendo viajado para os Estados Unidos, na digressão de Disintegration, a bordo de um transatlântico.

9.

Os Cure gravaram o melhor álbum de sempre. Quem o diz é Kyle, uma das personagens de “South Park”, no episódio em que Robert Smith é o convidado especial. Depois de, numa batalha épica, salvar a cidade da terrível ameaça de Barbra “Mecha” Streisand, Robert “Mothra” Smith abandona “South Park” rumo ao pôr-do-sol, enquanto Kyle, bem impressionado, berra: “‘Disintegration’ é o melhor álbum de sempre!”. A proeza maravilhou os sobrinhos de Robert Smith, que até aí não viam na ocupação do tio nada de glamoroso.

10.

Quando se juntou aos Siouxsie and the Banshees, com quem tocou guitarra no alvor dos anos 80, Robert Smith quis tornar bem claro que “não pertencia àquele mundo” gótico. Por isso, tocava ao vivo com uma camisola de pijama às riscas azulinhas.

11.

Aquela que é [ainda] uma das músicas mais recentes dos The Cure, de título ‘The Reasons Why’ (do álbum “4:13 Dream”, de 2008), inclui excertos de uma carta de suicídio que Robert Smith recebeu em 1987. “Conhecia a pessoa que me enviou a carta. Suicidou-se mesmo. Teria a minha idade, agora”, diz Smith ao NME.

12.

Na era “Disintegration”, Robert Smith tinha no LSD o combustível de eleição. Os ácidos tinham efeitos peculiares no cantor: “Tirava a roupa e punha-me a jogar ténis comigo mesmo, às escuras”, confessa, quase 20 anos depois, ao NME. “Claro que não havia bola, mas tinha uma raquete! As pessoas chegavam, já de manhã, e perguntavam-me: estás bem? E eu: estou ótimo! Ganhei dois sets e um jogo em branco!.”