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Edição rara de “Tabacaria” é lançada este mês

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O poema de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, será reeditado no dia 28, numa edição de 1.500 exemplares que será comercializada numa caixa de madeira, com uma seleção de 25 fotografias da Baixa de Lisboa

Uma nova edição do poema “Tabacaria”, de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, numa caixa de madeira, com 25 fotografias inéditas de Pedro Norton, é apresentada no dia 28, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

Fonte editorial disse à agência Lusa que foram feitos “apenas 1.500 exemplares, todos numerados, e este livro de 176 páginas não voltará a ser reimpresso, tratando-se de uma edição rara”, num formato de grande dimensão, 24 centímetros de largura e 33 de altura.

A apresentação, no dia 28, às 18h30, é feita pelos jornalistas Henrique Monteiro e Joana Emídio Marques, numa sessão que conta com a presença de gestor e consultor Pedro Norton, que é fotógrafo amador, e do editor Manuel S. Fonseca, da Guerra e Paz, que chancela a obra. “Fernando Pessoa ou Álvaro de Campos, mas apenas um deles, por incompatibilidade de feitios, vai estar presente”, lê-se no comunicado da editora.

Num dos seus poemas, Álvaro de Campos escreveu: “Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro, Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim”. Este foi o mote para a nova edição de “Tabacaria”, um poema escrito em 15 de janeiro de 1928, pelo “engenheiro naval” Álvaro de Campos, publicado na revista Presença, em julho de 1933.

Com “Tabacaria”, é editado um álbum com 25 fotografias inéditas da Baixa de Lisboa, de Pedro Norton, dois volumes que “vêm presos numa meia caixa de choupo, seccionada transversalmente”.

“Em 25 fotografias a preto e branco, Pedro Norton oferece-nos um espelho no qual podemos ver o rosto de Pessoa e o rosto dessa Tabacaria que ele, com a máscara de Álvaro de Campos, escreveu, resignado e vencido”, disse à Lusa fonte da Guerra e Paz, realçando: “Esta é a Tabacaria de Álvaro de Campos, vista finalmente da janela da mansarda a que Fernando Pessoa a escreveu. E Pessoa explica como foi da solidão e silêncio que nasceram os versos do poema e como o dominava uma histeria interior que logo, no seu comportamento exterior, se convertia em neurastenia”.

A caixa-livro é obra de uma empresa portuguesa, de Proença-a-Nova, a Ambienti d'Interni, que produziu este ano as caixas das medalhas dos atletas, para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O empresário Carlos Silva, da Ambienti d'Interni, realçou à Lusa: “Desta vez respondemos ao desafio da Guerra e Paz Editores. Trouxeram-nos um livro de Fernando Pessoa e o que nós fizemos foi procurar os materiais e as formas que pudessem ser equivalentes à delicadeza e à elegância do livro”.