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Histórias de rimar: a avó lisboeta

Oitava de uma série de doze histórias para contar e mostrar aos mais pequenos

A. Filipa. M (texto), João Carlos Santos (ilustrações)

Esta é a história
Da menina Julieta
Que desde pequenina
Sonhava em ser vedeta

Nada a desanimava
Nem o facto de ser perneta
Para onde quer que fosse
Levava a sua muleta

Sua mãe era modista
O seu pai era baeta
Tinha um irmão mais velho
E viviam na Fuzeta

Quando fez dezoito anos
Decidiu dar à soleta
Queria ir para a capital
Conhecer a avó Henriqueta

Não fora enjoar de barco
Tinha ido na Catrineta
Assim fez-se à estrada
Na sua velha lambreta

Sua mãe tinha-lhe dito
Que a avó era forreta
Mas esqueceu-se de dizer
Que era completamente jarreta

A avó passava os dias
Fechada na saleta
Entre linhas e dedais
Costurando na maquineta

Quando às duas da manhã
A neta rodava a maçaneta
Levantava-se de um pulo
Diabo da velha marreta

Isto são horas de chegar
Tu e essa paixoneta
Olha que isso do amor
Dura tanto como a borboleta

Um dia depois de jantar
Enquanto roía uma reineta
Perguntou à neta
Queres que te faça uma jaqueta

Julieta sensibilizada
Decidiu fazer gazeta
Amanhã não vou dançar
Vou levá-la à opereta

Em cartaz só havia
Uma peça da Tieta
E a avó disse que preferia
Ir antes jogar à roleta

A neta não acreditou
Pensou que ela estava na treta
Não sabia que era vício
Da sua avó lisboeta

No casino foram muitas as vezes
Que rodou a ampulheta
Até a avó parar a chorar
Não há dinheiro que eu não derreta

Tens de me ajudar netinha
A contar uma boa peta
Para a tua mãe não se zangar
E nos tirar a chupeta

Julieta concordou
Foi à secretária e abriu a gaveta
Vou contar uma boa história
Onde é que tem a caneta