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Cinema sensorial, retrato de Bowie e fumar com Siza Vieira no Porto/Post/Doc

D.R.

De 26 de novembro e 4 dezembro as histórias reais alastram-se pela baixa da Invicta com 100 filmes documentais e a vontade de chegar a novos públicos

André Manuel Correia

O Teatro Municipal Rivoli volta a ser o epicentro para a exibição e reflexão da sétima arte, com a 3.ª edição do festival de cinema documental Porto/Post/Doc. São 100 filmes, oriundos de 31 países, três estreias mundiais, outras tantas europeias e 39 trabalhos exibidos pela primeira vez em Portugal. Desde o cinema novo brasileiro até à segunda vida do punk em Portugal, do cinema sensorial a uma fina escolha de documentários espanhóis muito há para ver. E ouvir! Entre 26 de novembro e 4 de dezembro vão também passar pelo evento duas centenas de convidados nacionais e internacionais.

Além do Rivoli, o festival alastra-se pela baixa portuense e chega também ao Passos Manuel e a espaços mais alternativos como o Maus Hábitos e o Cave 45. No centro da cidade escasseiam ainda as salas de cinema, apesar da reabertura do Cinema Trindade, e também por isso o Porto/Post/Doc se assume como uma alternativa para os cinéfilos menos adeptos de produções mais comerciais disponíveis nos vários shoppings. “Eu aprendi a ver cinema numa sala de cinema e, provavelmente, a nova geração aprendeu a gostar de cinema num ecrã de computador. E isso é pouco”, considera Dario Oliveira, diretor deste festival que durante todo o ano promove a extensão “Há Filmes na Baixa!”.

O certame está dividido em oito secções programáticas e dois focos, das quais se destaca a competição internacional, onde 13 filmes – dos quais três produções portuguesas – transportam para o grande ecrã histórias reais, através de de um género que se tornou um híbrido entre o documentário e a ficção, com diferentes abordagens, temáticas e estéticas. Os trabalhos videográficos a concurso competem pelo Grande Prémio no valor de 3 mil euros.

O Foco Sensory Ethnography Lab consiste numa seleção de obras de cinema sensorial que, destaca a organização em comunicado, “tem transformado a paisagem do cinema documental nos últimos anos”. Esta iniciativa integra igualmente uma escolha de três filmes da cineasta checa Jana Sevcíková, com destaque para o filme “Lean a Ladder Against Heaven” a ser exibido no último dia do festival, pelas 16h30, no Rivoli.

O segundo foco do Porto/Post/Doc procede a uma retrospetiva integral do trabalho de Eryk Rocha e haverá ainda a oportunidade para ver, em estreia nacional, dia 26, às 22h, no Rivoli, o filme “Cinema Novo” (2016) da autoria deste cineasta brasileiro distinguido este ano em Cannes com o prémio Olho de Ouro.

Um festival em crescimento chega também em versão “Mini”

Apesar do crescimento do festival, o Porto/Post/Doc apresenta-se este ano também em versão “Mini”, destinada ao público infantil. Esta secção desdobra-se em visitas às escolas, sessões pensadas para os mais novos e oficinas que englobam toda a família. A versão “Teenage” traz sessões específicas para adolescentes e confere a oportunidade a 18 estudantes de escolas artísticas de participar na eleição do filme vencedor do “Prémio Teenage”. As referidas iniciativas inserem-se no projeto educativo “School Trip”, que visa a formação de novos públicos.

No Passos Manuel, dia 28 de novembro, há para ver o documentário “Having a Cigarette with Álvaro Siza”, da autoria do realizador alemão Iain Dilthey, um testemunho do prémio Pritzker em discurso direto, numa conversa no seu atelier a que se junta Eduardo Souto Moura.

Também no Passos Manuel, o “Transmission” é um ponto de encontro entre o documentário e a música, no qual serão exibidos vários filmes que destacam músicos, bandas ou movimentos musicais, desde a resistência de dois DJ’s iranianos ao regime até ao nascimento da segunda vaga da cena punk em Portugal. O momento alto ocorre no no dia 3 de dezembro, no Rivoli, na mesma sessão em que será anunciado o grande vencedor da competição internacional, com a exibição de “Bowie, l’Homme Cent Visages ou le Fantôme d’ Hérouville”, um filme de Christophe Conte e Gaëtan Chataignie. Esta secção conta igualmente com quatro concertos, com destaque para o do guitarrista português Filho da Mãe, a 1 de dezembro, pelas 22h30.

O Fórum do Real consiste num seminário de um dia, com três diferentes painéis para discutir a experiência e o cinema sensorial. Marcarão presença académicos, críticos, sociólogos e cineastas que farão confluir várias áreas do saber.

Ser mais do que uma mostra e chegar aos 10 mil espectadores

Em conferência de imprensa, o diretor do Porto/Post/Doc, Dario Oliveira, explicou que “há um trabalho a fazer na fidelização de público” e apontou como meta para esta edição chegar aos 10 mil espectadores, número acima dos 7 mil verificados em 2015. “O festival não pode ser apenas uma mostra de cinema” e tem de se afirmar como um evento “onde se pensa e faz pensar”, afirma o responsável.

Na apresentação esteve também Guilherme Blanc, adjunto de Rui Moreira no pelouro da Cultura, para quem este festival “é um projeto singular” e “uma plataforma de pensamento e discussão”, acrescentando que “é importante que a autarquia esteja associada a ele”.

O orçamento para esta terceira edição é de 130 mil euros, semelhante ao do ano anterior. O principal apoio é proporcionado pela Câmara Municipal do Porto. O Porto/Post/Doc conta igualmente com o mecenato da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que financiará os 3 mil euros do Grande Prémio e irá promover várias degustações de vinhos ao longo do evento.

A programação diária pode ser consultada aqui.