Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Nasce no Porto associação para defender os interesses das artes performativas

A PERFORMARTE é a primeira associação portuguesa criada para unir esforços e salvaguardar os interesses de artistas e instituições ligados às artes performativas

André Manuel Correia

Chama-se PERFORMARTE (Associação para as Artes Performativas em Portugal), nasceu no Porto e é a primeira associação portuguesa criada para defender os interesses e garantir a representatividade de instituições vocacionadas para as artes performativas. O projeto arranca com 14 membros fundadores, mas pretende chegar a mais associados futuramente. Na manhã desta terça-feira foram eleitos os órgãos sociais e a presidência ficará a cargo do Teatro Nacional São João (TNSJ) durante dois anos.

A vice-presidência ficará entregue à EGEAC, enquanto a Fundação de Serralves presidirá à Assembleia-Geral. O Conselho Fiscal será dirigido pela OPART e a associação ficará sediada no Teatro Campo Alegre, no Porto. A adesão à PERFORMART é aberta a todas as pessoas coletivas, públicas ou privadas, que produzam ou exibam artes performativas.

Em declarações aos jornalistas, a presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Francisca Carneiro Fernandes, disse que a associação tem como objetivos a “valorização das artes performativas” em Portugal, “estabelecer meios de trabalho conjuntos”, bem como garantir a “representatividade do setor junto de instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais”.

A ideia de criar uma entidade que dê coesão às necessidades e reivindicações do setor foi trabalhada ao longo do tempo. “Surgiu numa reunião, anterior a 2010, no TNSJ, em que nos sentámos para reunir as dificuldades que o código de contratos públicos tinha causado à maior parte das instituições. E aí surgiu a ideia para criar a primeira associação do setor”, conta a responsável pelo TNSJ.

Francisca Carneiro Fernandes frisa que a PERFORMARTE não pretende assumir-se como uma associação patronal, embora reconheça que essa possibilidade chegou a ser estudada. “Pretendemos defender os interesses não só das entidades patronais, mas também de todos os profissionais que se dedicam às artes performativas”, esclarece.

Os futuros associados terão os mesmos direitos e obrigações que as 14 instituições que hoje assinaram a constituição do projeto. Na primeira reunião da Assembleia-Geral, ainda por agendar, serão definidos os escalões de cotas, uma vez que nem todos os sócios pagarão o mesmo valor para integrar a associação. “Os maiores pagarão um pouco mais, os mais pequenos pagarão um pouco menos, de forma a terem todos o mesmo tipo de benefícios e serviço”, garante Francisca Carneiro Fernandes.

Questionada sobre a eventual possibilidade da PERFORMARTE poder colidir com a atuação da DGArtes ou dos sindicatos do setor, a presidente do TNSJ refuta essa hipótese e acrescenta que “pode haver interligação e entreajuda para uma melhor defesa dos artistas”.

De dois em dois anos serão eleitos novos órgãos sociais, de forma a salvaguardar a representatividade da diversidade dos associados. As 14 instituições que hoje assinaram o ato de constituição da PERFORMARTE são o TNSJ, Instituto Politécnico do Porto, Fundação Centro Cultural de Belém, Fundação Casa da Música, Fundação de Serralves, OPART, Teatro Nacional D. Maria II, EGEAC, Teatro Viriato, Centro Cultural Vila Flor (A Oficina -- Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimarães, CIPRL), Teatro do Bolhão, Teatro Experimental do Porto, Espaço do Tempo e a Companhia de Teatro de Almada.

Devido a uma impossibilidade burocrática, a Câmara Municipal do Porto não pode integrar, para já, a lista de associados, apesar de ter participado nas reuniões e de ter estado hoje representada por Rui Moreira. “Por questões legais, porque necessita de um visto do Tribunal de Contas, não pode ser associado neste momento, mas pretende associar-se logo que possível”, assegura Francisca Carneiro Fernandes.