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“Close-Up” observa e pensa o cinema em Famalicão

Com 25 sessões comentadas por diversos realizadores e especialistas, haverá debates, um filme-concerto e muito mais desta quinta-feira até domingo

André Manuel Correia

“Marinheiro de Água Doce”, um clássico de 1928 do realizador Buster Keaton, apresentado de forma diferente num filme-concerto do guitarrista português Bruno Pernadas, abre esta quinta-feira em Famalicão, a partir das 21h45, o projeto “Close-Up”. Trata-se de um observatório destinado a pensar a sétima arte. Ao longo de quatro dias, na Casa das Artes, explora-se o universo cinematográfico através de uma oferta intensa e diversificada, da qual fazem parte 25 sessões comentadas, debates ou instalações artísticas.

“Isto não é um festival, no sentido do termo, porque vai ter programação durante um ano inteiro. Daqui a dois meses volta a ter programação”, diz Vítor Ribeiro, programador do “Close-Up”, em conversa telefónica com o Expresso.

Com incursões que vão desde o cinema japonês até ao legado de Manoel de Oliveira; desde viagens por águas doces até ao lado mais obscuro da humanidade, existem enquadramentos para todos os gostos nas diversas secções programáticas.

O “Close-Up – Observatório de Cinema” estabelece igualmente um vínculo com a comunidade, através de sessões pensadas para as famílias, e em particular com a população estudantil, com a secção Cinema Para as Escolas, em articulação com o Plano Nacional do Cinema.

Viajar em água doce com Bruno Pernadas até à turbulência de Auschwitz

A sessão de abertura inlui, a partir das 23h, e depois de “Marinheiro de Água Doce”, o filme de Grabiel Mascaro intitulado “Ventos de Agosto”.

À mesma hora será exibido um pequeno filme-homenagem ao realizador iraniano Abbas Kiarostami, recentemente falecido. A curta-metragem, de 25 minutos, intitula-se “Cinco para Kiarostami” e conjuga o universo artístico com o lado mundano, uma caraterística que faz o paralelismo com a obra do realizador iraniano.

Sexta-feira, a programação começa bem cedo, logo às 10h, com “Gesto”, de António Borges Correia, um trabalho estreado em 2011 no DocLisboa. Às 15h, assiste-se à “Infância de Ivan”, do cineasta Andrei Tarkovski, e ao final da tarde, pelas 18h, visiona-se o documentário de Margarida Leitão “Gipsofila”, comentado pela realizadora e por Luís Mendonça. A viagem pelo cinema e pela história prossegue à noite e leva o público até ao lado mais negro da humanidade. Os campos de concentração de Auschwitz e Treblinka assumem-se como cenários para os filmes “Filho de Saul”, de László Nemes, e “Treblinka”, de Sérgio Trefaut, exibidos numa sessão conjunta.

Sábado, pelas 16h, é “Bom Dia” para descobrir o cinema nipónico, com o filme de Ysujiro Ozu. Em seguida, às 17h45, o filme “Hannah Arendt”, da realizadora germânica Margarethe Von Trotta, comentado por Clara Ferreira Alves. À noite, pelas 21h30, chega um dos momentos mais aguardados, com a exibição de “O Ornitólogo”, um filme português muito aclamado pela crítica nacional e internacional em 2016 e que valeu a João Pedro Rodrigues o prémio de “Melhor Realizador” no festival de cinema de Locarno.

No último dia de “Close-Up”, o foco recai sobre a obra de Manoel de Oliveira, com a exibição do filme “Visita ou Memória e Confissões”, pelas 18h, e também com o documentário “O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu”, do realizador João Botelho, que fará uma sessão comentada.