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Clo Bourgard: “A arte deve ser provocadora”

“Follow this music” é uma tentativa de abordar os sentidos em especial o auditivo: ouvir e sentir a música

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Gosta de observar o comportamento do Outro e de trabalhar sobre ele, de forma humorada, mordaz. O Outro pode ser aquele que está próximo ou aquele que vê passar. Dessa observação nasceu a exposição “Ligações Perigosas” que ainda pode ser vista em Sintra

A expressão “ligações perigosas” é cinematográfica, porque já foi mote e título de vários filmes que deram uma nova e ampla dimensão às Cartas publicadas pelo general Pierre Ambroise Choderlos de Laclos no século XVIII.

Como escreve Paulo Morais-Alexandre no catálogo que faz a ligação entre a mostra de Clo Bourgard “Ligações Perigosas” e as cartas de Laclos publicadas há mais de 200 anos, o general analisou e explorou “um núcleo de relações sociais numa elite social, de amor e de ódio, de encantos e desencantos, de conquista e perda do ser amado, de inocência e perversão,estaria certamente longe de imaginar as repercussões que a sua obra viria a ter”.

Dois séculos depois, em Portugal, nos arredores de Lisboa, Bourgard reinterpreta o tema “Ligações Perigosas”, numa mostra de 15 acrílicos sobre madeira, em técnica mista, pode ser vista até ao final do dia de amanhã na Galeria de Arte Contemporânea LM, em Sintra.

Os quadros são o olhar de Bourgard, e da simbiose do seu local de vida/trabalho, sobre as pessoas que ocupam o Estoril e que – na perspetiva da artista plástica – criam um todo de forma de estar e geografia local.

Um quadro que fala da amizade, da “cumplicidade que se vai criando com as pessoas que conhecemos ao longo da nossa vida que se tornam importantes”, diz Clô Bourgard. “Next you you”, acrílico sobre madeira

Um quadro que fala da amizade, da “cumplicidade que se vai criando com as pessoas que conhecemos ao longo da nossa vida que se tornam importantes”, diz Clô Bourgard. “Next you you”, acrílico sobre madeira

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As cartas de Laclos foram sendo reeditadas e adaptadas ao cinema; a versão cinematográfica mais carismática é assinada por Stephen Frears [1988], e conta “com um fabuloso elenco de actores, nomeadamente com GlennClose no papel da perversa marquesa de Merteuil, JohnMalkovich como o sedutor visconde Valmont, Michelle Pfeiffer como a virtuosa Madame de Tourvel”, escreve Morais que, dois séculos mais tarde, estabelece um paralelo entre a obra plástica de Bourgard e a provocação social do texto de Laclos.

E é talvez esta a razão da pergunta de Paulo Morais-Alexandre, no texto de apresentação do catálogo: “Assim, a novaTourvel será decididamente alguma jovem mulher, vagamente pirosa, que não encontrou a felicidade no casamento e se sente se atraída por malandros que a enganarão uma e outra vez? Tantas perguntas para as quais a resposta está na verdade das telas de Clo Bourgard”.

Ou como diz a autora desta pintura que estuda o Outro, a “cor” também ocupa o seu lugar.

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