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Os bonecos que educam

Ben 10, o pequeno super-herói, é um personagem que cruza mundos na sua autocaravana

DR

Cartoon Network: um canal com gosto pela aventura coletiva e espírito de solidariedade

A programação da nova temporada do Cartoon Network Portugal já está no ar. Durante uma reunião de apresentação, Daniel González, o diretor-geral da Turner para Espanha e Portugal, expôs em termos gerais a evolução dos números de gestão do último ano, mostrando-se “muito satisfeito com o desenvolvimento e a implantação na Península Ibérica, especialmente em Portugal, onde os públicos de idades mais pré-escolares e sobretudo entre meninas tem subido de forma esmagadora”. Os números defendem o seu otimismo e o dirigente realçou a cada vez maior proximidade do seu canal perante concorrentes diretos, implantados há mais tempo e com reconhecido impacto mundial: “Na média da temporada que agora terminou, e tendo em conta os meses decorrentes a partir de janeiro deste ano, o Cartoon Network, fundado há ‘apenas’ 23 anos, registou um share de 1,2%, contra 1,6% do Canal Panda e 1,7% do Disney Channel.” Questionado a propósito da estratégia de crescimento do canal, entendeu manter a aposta “na qualidade dos nossos desenhos animados, que são pensados para cativar o natural universo mágico das crianças e jovens e entregar-lhes são entretenimento, preparação para a vida e valores que cativem o espírito de iniciativa”. A Cartoon Network Portugal também vai reforçar a aposta nas plataformas digitais — só este ano as aplicações móveis do canal registaram mais de 600 mil downloads. E uma nova aplicação vem a caminho — a CN Anything é gratuita e apresenta conteúdos exclusivos.

O crescimento exponencial de canais especializados e destinados quase exclusivamente a espectadores de tenras idades desencadeou nas últimas décadas uma explosão de propostas criativas que competem renhidamente entre si. Realmente, os desenhos desenvolvidos pela Cartoon Network vêm ganhando cada vez mais adeptos. Vale, ao que parece, o estilo dos seus grafismos, de desenhos simples mas sugestivos, as cores vivas e a pujança e velocidade a que se desenrolam os roteiros aventurosos. Colateralmente, contribui para isso um inteligente consórcio industrial que desenvolve, a exemplo de outros ‘rivais’ como a Disney, um multifacetado comércio que vai desde o material escolar até às roupas.
Na recente apresentação da nova temporada, é evidente que a filosofia de que “numa equipa ganhadora não se deve mexer” é que está no comando. Pedagogos e pais atentos podem estar descansados, porque os super-heróis e outras personagens adjacentes movimentam-se numa dinâmica animada que não descura, uma vez mais, nem a filosofia dos ensinamentos nem as traves-mestras que permitem instrumentos de formação da personalidade e do espírito comunitário e de cidadania.

Nesta perspetiva, destaquemos, por exemplo, “Doraemon”, o azul gato cósmico que torna reais as fantasias das crianças. Ou “Teen Titans Go!”, cinco adolescentes que já se transformaram em clássicos e passam por hilariantes situações quando combatem o crime. Já “Yo-kai Watch” movimenta-se num mundo cheio de seres invisíveis chamados Yo-Kai. E as suas histórias sobrevivem bem nesta nossa era de Pokémons em pleno desenvolvimento! Lembremos ainda o “Titio Avô”, a figura familiar que cumpre a função de ‘mais velho’ das famílias, integrado nas historietas sempre atrevidas, desastradas e mágicas, aliado que todas as crianças desejariam ter na pessoa de um adulto que as compreendesse. E que dizer de Jake, o cão mágico, e do humano rapazola Finn, que percorrem corajosamente a Terra do Ooo em perigosas caminhadas para salvar princesas, lutar contra monstros mal intencionados e prender bandidos que fazem corar de vergonha os ladrões da caverna do Ali Babá? Se eles só se têm um ao outro, a sua filosofia não se coaduna com uma certa mentalidade que perpassa por muitos dos desenhos animados industriais japoneses das últimas duas décadas, em que a ‘infelicidade’ e a ‘angústia’ campeiam com demasiada frequência. Neste caso, o que mais encanta é que as personagens passam o dia a rir-se, contam piadas e tolices engraçadas enquanto se confrontam com os diversos perigos.

A grande novidade é a alteração que se regista no desempenho do pequeno Ben Tennyson, que já era superestrela global nas anteriores temporadas, mas que agora integra o papel de protagonista principal com o nome de “Ben 10”. Desta forma, a série reinventa-se e o rapaz prodigioso conhece um novo fôlego que tem o habitual apoio da prima Gwen e do avô Max, mais uns extraordinários aliens. Como era previsível, dando continuidade ao ambiente tradicional da série, fazem-se transportar através dos EUA, durante as férias de verão. Talvez um belo dia, num esforço mais ecuménico, possamos testemunhar novíssima versão com inovadoras paragens culturais, paisagísticas e de mentalidades.

Há muitas mais sugestões, já habituais nos naipes de programação, capazes de inebriar e acicatar a criatividade infantil: “O Incrível Mundo de Gumball”, com a fascinante família dos Watterson em que a mãe é uma ativa vendedora de arco-íris; “Clarence”, a personagem mais positiva e otimista de todo o canal; “Steven Universe”, um menino que contracena com amiguinhos com nomes de pedras preciosas que defendem o universo e a Humanidade. Para maior inspiração das posteriores brincadeiras, diariamente o CN propõe filmes que se vêm tornando em blockbusters apreciados.

A somar à vertente televisiva do canal Cartoon Network, destaque ainda para as propostas de atividades reais ao longo do país, através das festas de aniversário ou da surpreendente presença do camião que levará a lugares inesperados como escolas e praças portuguesas, propostas de jogos e o contacto direto com os heróis transformados em figuras vivas, tridimensionais, de ‘carne e osso’.