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Histórias de Rimar: O Milagre

ILUSTRAÇÕES JOÃO CARLOS SANTOS

A. Filipa. M (texto), João Carlos Santos (ilustrações)

No dia do milagre
Estava tudo alinhado
Mas nem o senhor padre
Nisso tinha reparado

Para não parecer banal
Tinha de ser planeado
Tornar o dia especial
Como todos tinham esperado

A manhã estava nublada
Deixando à consideração
Dos olhos da pasmada
A sua interpretação

A princípio não viu nada
Depois viu lá um cão
E da boca escancarada
Saía de lá uma mão

O vento estava parado
O acaso nada tinha com isso
Estava o cão congelado
Dos olhos da pasmada submisso

Veio toda a aldeia ver
A grande revelação
Que a pasmada acabara de ler
Na boca daquele cão

Da boca escancarada
Está a sair uma mão
Pede para ser ajudada
Não lhe podemos dizer que não

ILUSTRAÇÕES JOÃO CARLOS SANTOS

Faltava agora saber
Em que dedo estava a ferida
Para a poder cozer
E puxar a mão de seguida

Lembrou-se então a pasmada
Da mais nova da costureira
Que numa tesourada
Tinha cortado a dedeira

Falhou logo ali o destino
Que garantira à mãe sucessora
Para ajudar a criar o menino
Da sua filha pastora

Há que levar a menina ao monte
Para o mais perto do céu estar
Atravessaremos juntos a ponte
Para lá a ir adorar

Reuniu-se então a aldeia
A marchar colina acima
Muitos sem terem na ideia
Porque iam adorar a menina

À medida que iam subindo
Começava o vento a levantar
Estavam as saias subindo
E as boinas a querer voar

Estavam já todos juntos
Quando veio uma rajada
Calaram-se os assuntos
Olhou tudo para a adorada

Sob um céu limpo de cães
A menina tirou a dedeira
Benzeram-se logo as mães
Ao ver o dedo de tal maneira

Naquela mão pequenina
Nem sinal de tesourada
Bendita ideia peregrina
Tivera a vizinha pasmada