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Ao efeito Miró junta-se o efeito Krebber. O elogio da “imperfeição perfeita” em Serralves

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Pedro Figueiredo

Serralves traz pela primeira vez o trabalho do pintor alemão Michael Krebber até Portugal. A exposição que abre ao público este sábado, intitulada “The Living Wedge”, reúne mais de 80 obras e fica patente até 15 de janeiro

O Museu de Serralves, no Porto, vai exibir pela primeira vez em Portugal um conjunto de mais de 80 obras do pintor alemão Michael Krebber, nome “completamente marcante e com grande influência na história e na narrativa da arte contemporânea”, como descreveu ao Expresso o curador da exposição João Ribas. Depois do efeito Miró ter contagiado Serralves, chega agora o efeito Krebber, que confronta todas as convenções e fronteiras artísticas. A mostra intitulada “The Living Wedge” abre ao público este sábado e fica patente até 15 de janeiro.

Na apresentação da exposição aos jornalistas esteve presente o próprio Michael Krebber, que proporcionou uma visita guiada a esta retrospetiva ao seu legado artístico, com obras que vão desde as suas criações da década de 80 até ao seu trabalho mais recente. A acompanhá-lo, com especial entusiasmo, esteve o curador João Ribas, para quem o trabalho do pintor germânico “influenciou muito a componente estética e visual da arte contemporânea”, destacando o facto de nunca ter sido exposto em Portugal.

“Mesmo num tempo em que temos acesso a muita informação, a experiência e contacto direto com a arte continua a ser fundamental”, afirmou o comissário da exposição, acrescentando que “era muito importante trazer esta linguagem da pintura abstrata e esta dimensão crítica”.

“The Living Wedge” poderia ser traduzido, em português, para “A Cunha Viva”, mas o duplo sentido da palavra “cunha” fez com que o título permanecesse no idioma de Shakespeare. O conjunto de obras é composto por trabalhos provenientes de coleções privadas e institucionais, o que proporciona uma oportunidade única para refletir a arte. Esta é, assim, uma exposição para ser vista e pensada.

“A arte não pode ter fórmulas, porque para isso existem os matemáticos”

Michael Krebber, nascido em Colónia no ano de 1954, convoca o acidental e a isso junta a técnica. É a beleza de uma não-intencionalidade trabalhada; um universo artístico que provém do espontâneo e do experimental. As suas obras, explica o curador, são totalmente abertas, de uma forma “desafiante”, mas, simultaneamente, “humilde”.

“A arte não pode ter fórmulas, porque para isso existem os matemáticos que percebem mais do assunto do que os artistas”, afirmou Krebber.

A sua produção artística expõe-no, literalmente, perante o público. Na opinião de João Ribas, há nas obras do pintor alemão uma “imperfeição perfeita” e destaca a “coragem e a vaidade de exibir o erro de uma forma produtiva”.

Não cabe em nenhum estilo, mas possui um efeito e uma linguagem plástica singulares. “Muitas destas obras são maravilhosas, a composição é incrível e, se assim não fosse, não havia este fascínio, este efeito Krebber”, considera o curador.

O trabalho de Michael Krebber já foi apresentado em exposições individuais na Greene Naftali, em Nova Iorque, em Maureen Paley, Londres, e algumas das suas obras integram as coleções do MOMA (Museum of Modern Art) ou o Museu Brandhorst, em Munique.

Também presente na apresentação esteve Suzanne Cotter, diretora do Museu de Serralves, que afirmou que a mostra “faz parte de uma longa história de exposições no museu, por onde passaram alguns dos artistas mais importantes do nosso tempo”.

A responsável referiu-se a Krebber como um artista “extraordinariamente fresco” e “figura de relevo na pintura alemã e europeia”.

A exposição “The Living Wedge” é organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves em parceria com a Kunsthalle Bern, na cidade de Berna.