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Zé Pedro ouviu a nova dos Stones e achou incrível. E escreveu-nos sobre isso

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Keith Richards, Mick Jagger e Ronnie Wood, dos Rolling Stones, durante o concerto em Havana, Cuba

ALEXANDRE MENEGHINI / REUTERS

Zé Pedro, eterno guitarrista dos Xutos & Pontapés e confesso ‘viciado’ em Rolling Stones, faz uma primeira análise ao novo disco dos norte-americanos, "Blue & Lonesome", que sai a 2 de dezembro

Zé Pedro (depoimento recolhido e construído por Bernardo Mendonça)

Tiro o chapéu aos Rolling Stones por mais este novo álbum de covers com versões de blues dos anos 50 e 60. Continuam a manter-se dinâmicos ao fim de tantos anos. E isso é fantástico.

Ainda no início deste ano fizeram de novo história ao serem a primeira banda internacional de rock a atuar em Cuba. Um concerto que ocorreu a 25 de março e que resultou num documentário, cd e dvd que dá pelo nome “Havana Moon”. Meio milhão de pessoas assistiram a esse momento especial. Essa será uma boa peça de coleção que vou adquirir em breve. Tal como este novo disco.

É incrível com uma banda decide fazer, neste momento da sua carreira, um disco como o “Blue & Lonesone”. Foi uma brincadeira que decidiram fazer. Gravaram-no em três dias, à primeira, sem emendas, nos estúdios British Grove, em Londres. São 12 canções ao todo. O Eric Clapton andava por ali ao pé e gravou duas versões com eles: o "Everybody Knows My Good Thing”, de Little Johnny Taylor, e o “I Can´t Quit You Baby”, de Otis Rush.

Acabo de ouvir o excerto do tema “Just Your Fool” ( tema original de Little Water, 1960). Nele pode ouvir-se Jagger a tocar harmónica e a cantar num só ‘take’. Como todos os anteriores, este é um disco que me interessa. Completamente. Como se tivessem saído de uma grande sala de concertos para irem tocar num pequeno clube. Tem o som dos discos do blues de época. Algo rude, gravado à primeira, em fita, com um certo granulado. Dando um ar “tough” à musica. O que não deixa de ser um disco coerente com o som deles, com uma certa impureza que nos habituaram ao longo do temo. Os puristas irão gostar muito. Não será certamente um disco muito comercial, mas será um disco de culto feito para viciados em Stones, como eu.

A propósito, vi recentemente em Londres a exposição “Exhibitionism”, que conta a história dos Stones. Pude conhecer a réplica da casa onde o Mick Jagger e o Keith Richards viveram juntos nos primeiros tempos, ou uma recriação do “Olympic Studios”, onde gravaram o álbum ”Simply for the Devil”.

Além de uma galeria com vestimentas deles, maquetas de palco desenhadas por vários arquitetos, inúmeras fotografias que acompanham a história do grupo ou mesmo a evolução do símbolo do grupo - a língua de fora da boca. Que agora já tem uma versão em azul.

Fazendo uma certa análise e adivinhação, diria que este “Blue & Lonesome” é um disco de passagem. Especula-se entre os mais fanáticos pela banda (onde me incluo) que para o ano irão produzir um novo álbum de originais. O Keith Richards falou numa entrevista recente que tinha vontade de o fazer.

Tenho até a impressão que farão também em 2017 uma digressão pela Europa. Isto, claro, são teorias e vontades. Há muita malta que analisa todas as vírgulas nas entrelinhas das entrevistas que eles vão dando. A ver se há mesmo novo disco de originais para o ano e uma tournée europeia...